AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA

César Tavares abre suas malas cheias de recordações e lembranças dos tempos passados em Delmiro Gouveia, uma cidade sertaneja de Alagoas, de sua gente e dos fatos do cotidiano. E faz um convite aos visitantes para abrirem também as suas malas, baús, gavetas e álbuns; e retirar: histórias, causos, e fotos do passado e do presente delmirense.



Segunda-feira, Agosto 29, 2005

BANCAS DELMIRENSES: EM BUSCA DA CULTURA PERDIDA.
OU O QUE ACONTECIA NO MUNDO.

O post de hoje é duplo. Um texto que havia sido enviado pelo do prof. Paulo, há alguns dias atrás, e estava sendo cevado(um termo bem delmirense) e a seguir um texto repetido meu. Já havia o postado em dezembro de 2004. Mas como são complementares dá a oportunidade aos leitores(raros) encadearem as histórias.


A PRIMEIRA BANCA DE REVISTA DELMIRENSE (Lembranças dos anos 60. Por Paulo da Cruz)

A fantasia e a imaginação da garotada delmirense, no início da década de 60 era alimentada pelos gibis e seriados que passavam no Cine Pedra. Para muitos dos heróis dos seriados, como Falcão Negro, Cavaleiro Negro, Nioka, Aguia Negra, Roy Rogers, Rocky Lane e Charlie Chan, havia uma revista em quadrinhos correspondente. Essas revistas eram disputadas e passavam de mão-em-mão.

Algumas ficavam ensebadas de tanto circularem. Eram vendidas, trocadas, surrupiadas, etc. O grande problema era conseguir essas revistas. Não havia banca de revistas em Delmiro. As poucas que chegavam, em sua maioria, vinham de Paulo Afonso ou eram importadas diretamente do Rio ou de São Paulo.

Durante muito tempo elas foram vendidas na casa do ¿Seu¿ Adão Queiroz (por uma cunhada dele), na loja do ¿Seu¿ Davizinho (Davi Marques) e tmbém na loja do ¿Seu¿ Zé Alves. Até que um dia em empregado do ¿Seu¿ Adão, conhecido como Zé Binga, criou coragem e foi falar com o prefeito municipal, Dr. Ulisses Luna.

Nessa conversa ele solicitou autorização para instalar uma banca de revistas na cidade. O Dr. Ulisses foi direto: ¿Está bem, pode instalar, mas nada de vender revistas pornográficas¿. Por revistas pornográficas entendam-se os famosos ¿catecismos¿ do Carlos Zéfiro, que eram lidos as escondidas por adolescentes e adultos. As revistas escandinavas, que fez sucesso na década seguinte, ainda não tinham chegado. Zé Binga garantiu de pés juntos que assim iria proceder.

Foi assim que Delmiro Gouveia passou a ter também a sua banca de revistas. Ela ficava quase colada ao muro do Grupo Escolar Delmiro Gouveia, no seu canto esquerdo. Depois mudou de local, mas sempre gravitou pelas proximidades do mercado público.

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A QUEROZINA (Lembranças dos anos 70 por César Tavares)

Nos anos 70 na cidade de Delmiro Gouveia tinha apenas uma banca de revista. E assim mesmo era uma banca improvisada. Ficava dentro da Loja Querozina de propriedade do Sr. Adão Queiroz.

Na realidade a Querozina era uma loja de bebidas. Principalmente bebidas de fabricação própria. Eram elaboradas em grandes tachos de madeira. Isto era feito nos fundos da loja, dando ali para o beco do Progresso. O cheiro de jurubeba queimada que levantava, quando ferviam aquelas misturas era insuportável. A cajuína, uma espécie de refrigerante local, era palatável.

A banca de revistas resumia-se a um mostruário com alguns exemplares. Não era uma banca sortida. Não havia tantos leitores assim na cidade. Ou os que tinham um poder aquisitivo maior, eram assinantes. As revistas geralmente chegavam com um certo atraso. Já que eram trazidas de Paulo Afonso. Lembro bem que a Revista Veja chegava para os assinantes na segunda-feira. E na banca na quinta-feira.

O Balconista da Querozina era um rapaz chamado Cícero. Era um cara bem legal. E costumava guardar o meu exemplar. E como eu era um cliente habitual. Ele ainda deixava-me folhear outras revistas, ali mesmo no balcão

Foi neste pequeno espaço que comecei a aguçar um pouco a minha juvenil curiosidade por leitura. E isto era feito geralmente comprando a Revista Manchete. Eu achava o máximo àquelas fotos imensas e pouco texto. Durante uns três anos eu comprei todas Manchetes. Quando saí de DG, minha mãe se desfez de todas.

Hoje em dia ao passar em alguns sebos recifenses, por vezes, revejo alguns dos exemplares que um dia eu também tive.

E aí quais as suas primeiras leituras delmirenses? Conte por aqui.



Falamos dos anos 60 e 70. E nas outras décadas. Quem falará sobre os anos 80, 90 e os primeiros anos deste século XXI? A pessoa mais indicada seria a Rouse Vilar(sobrinha do Eraldo). Geração bem mais nova que a nossa. Poderia muito bem dar o seu testemunho. Mas ela tem se esquivado (até agora) de mandar material novo. Tenho cobrado às vezes via msn. Mas nada de resultado concreto. Então fica aqui a cobrança pública.(risos). Talvez assim pressionando ela colabore. Ou então o Eraldo usando da autoridade de Tio chame-a a cumprir com seu ¿dever e a este chamamento cívico delmirense¿(risos).

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postado por: <$César Tavares$> 6:33 PM


Quinta-feira, Agosto 25, 2005

AÇUDES DELMIRENSES


Paredão do Açude Pequeno. Meados dos anos 70.

AÇUDES DELMIRENSES.



O texto abaixo foi tirado do livro Delmiro Gouveia Pioneiro e Nacionalista, de F. Magalhães Martins, editado pela Editora Civilização Brasileira S. A, Rio de Janeiro, em 1963. Páginas 70 e 71.

¿Vê-se, pois que o povoado era insípido, desértico, falho de tudo. Entretanto, a sua posição geográfica em plena zona criadora dos sertões, na confluência de quatro Estados ¿ Alagoas, Bahia, Sergipe e Pernambuco ¿ favorecia o desenvolvimento de seus negócios. Havia a estrada de ferro Piranhas-Jatobá, que facilitava o transporte dos produtos a adquirir e adquiridos¿.
A maior dificuldade a enfrentar, de início, residia na falta de água, sendo que a potável vinha de longe, no trem semanal, pois Delmiro não descria nos malefícios de micróbios e parasitas. Por iss, mandou construir, no córrego da Paricônia, o açude do Desvio, assim chamado pro ficar atrás da estação. Em 1907 começou o da Pedra Velha, barrando o riacho da Mosquita e que tomou água no inverno seguinte ¿


Interessante é que comprei este livro num sebo recifense há muitos anos atrás e em sua folha de rosto o autor faz uma dedicatória (manuscrita) feita em 12/07/63, para John Kirchhofer Cabral onde ele diz que este tal de Jonh é genro do Delmiro!!!!!!!

Mas o objetivo deste blog não é contar a história oficial. Para isto existem centenas de livros e trabalhos acadêmicos. Aqui é o registro das impressões pessoais de um tempo. Do nosso tempo. E também dos tempos atuais e das outras gerações. Outras levas. É o lado humano e prosaico dos delmirenses natos ou adotados (meu caso) que queremos registrar.È mentir um pouco. Só um pouco viu. Fantasiar e dizer que tudo era melhor. E por aí vai. Pode-se falar de coisas sérias e verdadeiras também. Portanto nada de muito diletantismo cultural. Doses homeopáticas. Deixemos o papo fluir como se estivessem um bando de amigos a partilhar uma mesa com comes e bebes.

Portanto voltando a vaca fria. O tema de hoje é o açude. Por isto senti-me obrigado a coletar dados referentes a sua construção. Mas o pouco que tenho a falar sobre os açudes delmirenses é: Como um menino relativamente obediente, nunca fiz o que boa parte da molecada fazia. Mas morria de inveja. Vejamos:

§ Quem não achava bonito ver o açude sangrando? Á água transbordando com um barulho atroz e a farta espuma branca a cobrir tudo. E a molecada a pular do paredão, cada um querendo dar um mergulho mais acrobático que o outro.Pura exibição. Natural isto. É da idade. O perigo excita. Era uma imagem rara ver o açude assim. Afinal no sertão os anos secos são em número bem menor que os chuvosos. Era uma festa.

§ Quem não curtia pescar piabas e carás? Aqui para nós e para quem gosta de beber um pouco: Cará assado e passado na farinha desce bem com uma cerveja gelada.

§ Quem não levou uma carreira de Brasileiro (o vigilante do açude)? Era proibido pescar e nadar no açude. Mas quem ligava para isto. Ninguém. E além disto o senhor Brasileiro, parece-me que mancava um pouco de uma perna. Melhor para a molecada. Depois da trela feita cada um que contava a história de forma mais fantasiosa e cheia de enfeites para os amigos, querendo assim parecer mais corajoso que o seu colega? Meu primo René (já falecido) era mestre nesta arte.

§ Ainda tinha os passeios até a Pedra Velha. A gruta fascinava. Corriam histórias entre os meninos maiores que lá era um bom local para abatimento.(risos). Que coisa mais cafajeste.(mais risos).


Pois é eu não fiz nada disto. Em janeiro de 2005, ao ver o açude fiquei decepcionado. O lugar estava feio, sujo e mal-cuidado. Propriedade particular.

Imagino aquele lugar com um bom trabalho urbanístico. Um espaço para o lazer com barracas de cocos, lanches, pistas para Cooper o contornando. Estímulo para esportes aquáticos e até um possível passeio de barco ou jet-ski. Enfim alguém que entenda de turismo (não é o meu caso) que desenvolva um plano viável. Creio que seria um ganho considerável para a cidade.

As fotos que ilustram este texto foram cedidas pelo Dr. Monteiro Mafra. Creio que foram tiradas no início dos anos 70. Não em 70. Porque este foi um ano de seca braba.

Agora é com vocês: E aí o que você aprontou pelas bandas do açude? Em qual açude? No Grande ou no Pequeno? Deixe o seu recado. Registre suas lembranças. Dê a sua opinião.


Obs: Aviso aos navegantes: a grafia do nome do riacho no livro está Paricônia. Talvez um erro do autor. Ou mudaram a grafia com o tempo. Sei que a hoje cidade chama-se Pariconha.

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postado por: <$César Tavares$> 6:49 PM


Segunda-feira, Agosto 22, 2005

A CAMINHONTE DE ZÉ FREIRE NA ROTA DELMIRO GOUVEIA ¿ PAULO AFONSO
OU COMO ERÁ DIFÍCIL ESTUDAR.



Parecia com esta.

Ao terminar o ginásio no final dos anos 70, não havia curso secundário em Delmiro Gouveia, exceto o de Pedagogia. Então começava a revoada. A turma dividia-se Os mais abastados iam para centros maiores.(Maceió, Salvador, Recife e Aracaju). E os menos afortunados ou até mesmo por conveniência, iam estudar em Paulo Afonso.

E em Paulo Afonso a grande maioria dos estudantes ficavam mesmo fazendo curso técnico de Administração ou Contabilidade no Colégio 7 de Setembro. Nestes cursos havia aulas à noite. Portanto batia com os nossos horários. Quase todos trabalhavam. No meu caso: na fábrica. No entanto para o deslocamento DG/PA havia alguns inconvenientes: Os horários do ônibus da Viação Progresso, o seu ponto de embarque e desembarque e o preço. Então nos restava uma solução delmirense: A CAMINHONETE DE ZÉ FREIRE.

Era uma caminhonete C10 com uma capota na carroceria. Pegávamos ali ao lado da praça, quase defronte ao antigo mercado público.(hoje uma galeria de lojas). E nesta caminhonete íamos apinhados num total de dezoito estudantes. Quinze sentados em banquinhos na carroceria e três juntos com o motorista na cabine.

Nos meses de junho. A disputa pela cabine era imensa. Pois na carroceria, entrava pelas frestas um frio de lascar. Aquele friozinho conhecido que doía até nos ossos. Quem mora em DG sabe que frio é este.

Mas o desconforto era compensado pelas farras, brincadeiras e amizades travadas em espaço tão diminuto. E na quase uma hora de viagem valia tudo. Discutia-se política. Era o início do Governo Figueiredo. E a discussão mais importante era se o combate à inflação galopante era mais importante que a anistia. Futebol era tema recorrente. Piadas muitas piadas (de bom e de gosto duvidoso em maior número lógico), novelas e fofocas delmirenses. Tudo valia.

Na volta o papo já minguava. Afinal estávamos cansados. Um dia inteiro de trabalho, correria para pegar a condução no final da tarde. E depois quatro ou cinco aulas de Getúlio (o terror do colégio), então era normal quase todos cochilarem. E chegávamos em DG por volta das 11.30h da noite.

Às vezes por pura sacanagem alguém com um terrível espírito assassino soltava um raio fedor daqueles. E começava a troca de acusações para saber quem foi o criminoso que liberou uma carga de substâncias voláteis e altamente tóxicas em ambiente tão diminuto. Caso fosse descoberto, era devidamente justiçado pelo tribunal de exceção. A pena geralmente era uns bons babaus no miserável. Não vamos citar nomes para evitar constranger quem era contumaz em tal ato hediondo. Afinal hoje todos são pais e mães de famílias respeitáveis.

No entanto tinha um dia especial. Era a sexta-feira. Era praxe neste dia rolar uma batucada em plena carroceria. Tudo era com uma improvisação profissional. E o repertório era bem variado. Sambas chavões a exemplo de Foi um Rio que Passou na Minha Vida até o as músicas do Waldick Soriano. Enfim era bem eclético o gosto da turma. Havia espaço para todos os gêneros.

E isto era feito pelos camaradas ai abaixo(de quem tenho as melhores lembranças):

Tonho do Banco do Brasil. O mais elegante da turma. Afinal tinha um bom emprego. O Tonho levava um atabaque;

Eilson (Fuleirinho) se encarregava de trazer um pequeno tantan,

Carlinho Kipá (que trabalhava no hospital) levava um triângulo;

Wellington de Jatobá(filho do coletor estadual) levava um reco-reco.

Maysa imitava com a boca o som de um piston. Perfeito. Ela morava ali no Desvio e trabalhava na fábrica no setor do Walmir. e Cláudio Cardoso(filho de Zé Galego) cantavam E os demais faziam o coro.

E eu que com a minha coordenação motora inexistente era impedido de tocar qualquer instrumento que fizesse barulho. Pois poderia atrapalhar o grupo. Então davam para mim uma pasta que não fazia som algum. E diziam: Olha cara você finge que toca, assim você se diverte e não atrapalha a gente.(risos) e o coro da música, como eu não sabia nenhuma também, só podia fazer o refrão. E assim mesmo baixinho.(risos).

Saudades deste tempo. Hoje passados tantos anos achamos engraçado. Na época era dureza para o sujeito fazer um cursinho rafaméia tinha que dar um duro da gota serena.

Atualizando os dados:

Em janeiro de 2005 encontrei o Tonho. Teve um grave problema de saúde e se aposentou pelo BB. Conversamos ali na vila numa manhã ensolarada. Rimos um bocado. Gente muito boa.

Na festa de 20 de conclusão da oitava série do GVM, em junho de 1997, reencontrei o Wellington após 17 anos sem ter notícias do mesmo. Tomamos umas cervejas e colocamos papo em dia. Ele mora em Maceió. Mas lá se vão oito anos novamente.

Carlinhos Kipá. Morava ali na Padre Anchieta. Após terminar o segundo grau conseguiu emprego numa dessas grandes empreiteiras mineiras e passou a correr o país inteiro. Não tenho contato com ele desde o natal de 1983. O último que passei em DG. Já morava em Recife. E o Kipá estava também passando uns dias com a sua mãe. Ele morava em Belo Horizonte.

O Eilson Ferraz um dos sujeitos mais divertidos que andavam na velha e boa caminhonete C10, faleceu num acidente em DG ainda no início dos anos 80. Uma pena. Mas será sempre lembrando pelo seu bom-humor.

Os demais companheiros de viagem tentarei lembrar o nome de todos. Perdoe-me os que eu por ventura vier a esquecer.

Rita de Cássia, filha do Dr. Luiz; ainda mora em DG. Dirigente de escola.

Vera e Celi Ferraz primas do Eilson; Não tenho notícias desde então;

Graça Padilha, mora em DG e dona da melhor casa de lanche e padaria da cidade;

Mary fazia o terceiro ano. Uma morena muito bonita e meiga que morava ali para as bandas da Castelo Branco. Não tenho notícias também.

Rosana Claudino. Uma das filhas do famoso carioca. Creio que voltou para o RJ.

Cléia Ribeiro. Fazia o terceiro ano em 1979. E trabalhava comigo na fábrica. Desde 1982 que não tenho notícias também;

Edvaldo do IBGE. Não sei por onde anda desde 1980. Era o mais letrado da turma. Lia muito. Gente boa. Parece-me que voltou para Santana do Ipanema ou Arapiraca;

Luiz Carlos do Manoel Bispo do Abrigo. O único barbudo da turma. Sempre elegante e com uma boa conversa. Fazia o terceiro ano também. Não o vejo desde 1980.

Caso alguém daqueles tempos lembre o nome dos que faltaram, por gentileza refresque a minha memória.

Em tempo: ainda pegamos o tempo bom. Estrada asfaltada e novinha em folha. Os outros estudantes que nos antecederam andavam de Rural. Lembro que o Mazo de Valdemar fazia este transporte. E a estrada era de chão batido. Uma poeira sem fim. Mas aqui quem pode contar detalhes seria o Bráulio. Fica em aberto o convite. E ai você quando fez o seu curso secundário teve estas mordomias todas? Deixe o seu recado.

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postado por: <$César Tavares$> 7:04 PM


Quinta-feira, Agosto 18, 2005

UM TREM DE SAUDADES DOS MENINOS E DOS ¿GAROTOS¿ DE DELMIRO GOUVEIA



O bom garoto a casa torna. Este é um velho e adaptado clichê. Mas cabe perfeitamente no caso. Hoje temos a volta espetacular do mais fiel e antigo colaborador do site www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br, o famoso EDMO ¿GAROTO¿ OLIVEIRA. E sócio-patrimonial do site www.delmirense.ubbi.com.br.

E o cara faz uma volta triunfal. Remexeu em seus arquivos e conseguiu uma foto rara, e sonho de consumo cultural dos poucos leitores deste blog: O TREM PASSANDO PELO CENTRO DA CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA.(será que naqueles tempos poderia ser chamado de centro da cidade?).

Ele ainda aproveita para endossar, ratificar, passar recibo, selar, protocolar e carimbar algumas das histórias contadas por aqui por outros colaboradores (Paulo, Abrahão e Eraldo). Ou seja, o camarada deu um verdadeiro certificado de autenticação.

Vamos ao texto do GAROTO.
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Vendo os textos inseridos por Paulo da Cruz, Eraldo e Abrahão, isso me fez mais uma vez transportar através da ¿time machine¿ de César, aos anos 60 e 70 quando ainda era garoto, aliás, ainda sou ¿garoto¿.

Primeiro, através de Paulo descrevendo o ambiente físico de DG na época. (saiu perfeito). Depois, Eraldo falando de disco voador e das piruetas aéreas do piloto da fábrica. Logo depois, Vem Abrahão relembrando o trem. É demais!!!!!!

Quanto ao que Eraldo diz, eu endosso, pois ouvi dizer na época, que o piloto passou por baixo do arco que sustenta ponte que separa Delmiro de Paulo Afonso. Será que isso foi mesmo verdade?



Eis onde o Néstor, o aviador maluco, passou.

Já quanto a Abrahão, quero aproveitar e realizar o seu desejo, aliás, o de muita gente, que quer ver a foto do trem e veja só em plena Rua do Comércio.

Eu morava na Rua Delrmiro Gouveia (a rua de seu Amélio Costa, como cita César Tavares) e também peguei bigú, só que não a partir da estação, por causa de George, mas a partir do cruzeiro (marco onde assassinaram Delmiro Gouveia); nesse lugar, por ser uma pequena subida em ralação à estação, o trem reduzia a sua velocidade; às vezes colocávamos pequenos cactos nos trilhos diminuindo assim o atrito das rodas com o trilho, reduzindo ainda mais a sua velocidade; é aí que pegávamos o famoso bigú até o desvio que ficava na atual Praça Delmiro Gouveia, já perto da rua do comércio.


Centro de DG. Inicio dos anos 60.
Vamos à foto: Aos fundos podemos ver o antigo prédio da prefeitura, onde no térreo funcionava a farmácia de Seu Quinzinho; ao lado da locomotiva podemos ver o prédio onde funcionava o antigo açougue público e mais abaixo vem o bar de Escurinho, êpa, já ia esquecendo; entre o bar de escurinho e o açougue havia um pequeno cômodo onde funciona uma borracharia. Mais abaixo do bar de Escurinho (já não aparece na foto), havia um beco que nos levava ao famoso escondidinho, onde aí se escondia Alzirão, Mocozinha, Pernilonga, Piôi Capado e muitas outras que ajudavam ou complicavam a vida de muitos de nosotros.

Quase no mesmo ângulo 40 anos depois.
Para o leitor que não conhece a nossa cidade eis aí uma fotografia tirada em 2003 e quase no mesmo ângulo, onde ainda é possível ver o antigo prédio da prefeitura citado pelo Edmo.

E aí quem vai contar mais histórias por aqui? Você lembrava, conheceu ou ao menos ouvir falar destas meninas que davam um duro danado ali no escondidinho? Eu só conheci de vista a famosa Mocozinha.

Manda sua história também.

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postado por: <$César Tavares$> 6:21 PM


Terça-feira, Agosto 16, 2005

ADMISSÃO AO GINÁSIO (Turma 1973)



Complementando o texto do Prof. Paulo. Mesmo oficialmente acabando o exame de admissão em 1969, a prática permaneceu em DG por alguns anos. Pois em 1973, eu passei o ano inteiro estudando para o exame no GVM. Tinha feito o primário no Grupo Escolar Francisca Rosa da Costa.(1970/72) e minha mãe achando que eu não tinha conhecimentos suficientes para enfrentar o teste direto, colocou-me para estudar o famoso Admissão ao Ginásio.

O curso funcionava no prédio do Sindicato dos Tecelões. No entanto estava havendo reforma por lá, então foi utilizado um pequeno salão na rua adjacente. Não lembro mais o nome da rua. Mas podemos dizer as coisas de um jeito bem delmirense: A rua onde ficava a casa do Amélio Costa. E aqui a minha história cruza com o texto do Prof. Paulo. Tínhamos duas professoras: Risalva, filha do Rosalvo Oliveira (posteriormente ele foi prefeito em DG), e dono da mercearia que fica quase na esquina com a D.Pedro II. Risalva ministrava as aulas de Português e Matemática.

E a outra professora era Zélia, irmã do Cabelinho, e filha de Maninha que também tinha uma venda ou bar quase ao lado do paredão do açude pequeno. Como as duas professoras eram muito inteligentes e competentes, suponho que alguns anos antes, uma delas era a tal compradora dos livros usados do Paulo. Ou seja já era um prenúncio de alguém que gostava de estudar.

O livro que estudávamos tinha uma capa azul com umas moças segurando uns livros e em letras garrafais o título ADMISSÃO AO GINÁSIO. Eu particularmente ficava encantado com as ilustrações: bandeirantes com suas indumentárias, as batalhas da Guerra do Paraguai (logicamente o Brasil ganhava todos e os brasileiros eram bonzinhos e o Solano Lopez o tirano malvado. Anos depois ao ler o livro do Júlio Chiavennato O genocídio americano cai na real) e os mapas coloridos na parte de Geografia.

Pesquisei um bocado na net tentando conseguir uma imagem deste livro. Mas não obtive sucesso. Caso algum leitor consiga gostaria que enviassem uma cópia para mim. Porque até procurar o livro em sebos recifenses fiz.

Foi neste curso que finalmente consegui aprender expressões numéricas. Eu tinha uma enorme dificuldade para entender aquele monte de parênteses, colchetes e chaves. Mas a Risalva tinha a salutar técnica de obrigar o aluno ir ao quadro. E o camarada só saia quando fazia o exercício correto. Graças a isto finalmente consegui aprender. Morrendo de vergonha na frente da turma. Mas errando, repetindo até acertar. Duvido o camarada esquecer mais disto.

A turma era pequena. Mas no final do ano todos passaram nos testes do GVM. Não lembro o nome de todos os colegas. Mas aqui vão alguns:

Tânia Mafra, minha prima. Formou-se em medicina e vive trabalhando e estudando loucamente no eixo DG-Maceió;

Ricarti Mafra, irmão da Tânia, administrador, ainda mora em DG e trabalha na Fábrica da Pedra,

Ni e Nel
, irmãos da prof. Risalva. O Nel formou-se em engenharia química. O Ni não tenho certeza, mas parece que também fez o mesmo curso. Ambos residem em DG.

Cláudio Cardoso, filho do famoso e temível Zé Galego chefe do Departamento Pessoal da Fábrica. O Cláudio a última vez que conversei com ele(em 2002) estava fazendo Mestrado e trabalhava como professor em DG;

Roberto Marques(Bé,) irmão de Dimas da loja de ferrangens e também meu primo. Bé não chegou a terminar o admissão. Abandonou o curso no meio do ano. O Bé faleceu muito jovem vitimado por seqüelas de uma diabetes que tinha desde a infância e tardiamente detectada;

Das outras pessoas não tenho maiores lembranças. Vagamente me vem a mento os nomes do Jorge e a Cida. Mas as recordações se dissipam na poeira do tempo. Uma boa desculpa para quem está ficando velho e os neurônios já não são mais os mesmos.(risos).

E aí você já tinha ouvido falar na existência deste bendito curso de Admissão ao Ginásio? Conhece ou lembra dos seus colegas de turma? De todos eles? Ou você já está ficando meio esquecido feito eu? Conte a sua história por aqui.

Em breve tentarei fazer um post sobre algo muito marcante e importante que fiz em DG. Algo que mudou minha vida para sempre: UM CURSO DE DATILOGRAFIA. na Escola Nossa Senhora da Paz, de Jacira esposa de Sebastião do Armarinho. (risos muitos risos) com direito: a diploma com fotografia de paletó e gravata borboleta.

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postado por: <$César Tavares$> 6:16 PM


ADMISSÃO AO GINÁSIO POR PAULO DA CRUZ.

O texto abaixo é as lembranças do Prof. Paulo da Cruz sobre seus tempos de estudante do Admissão ao Ginásio em DG nos anos 60. Como o post iria ficar muito grande dividi em duas partes: Primeiro o Paulo. E logo aí em cima um texto meu complementando o tema.


Paulo nos anos 60.
Um cara que amava os Beatles e os Rolling Stones.


ADMISSÃO AO GINÁSIO POR PAULO DA CRUZ.

Ao falar sobre admissão ao ginásio e sugerir um futuro texto no seu blog sobre o assunto você me despertou para escrever este texto.

O exame de admissão, que funcionou no Brasil de 1937 até 1969 era uma espécie de vestibular entre o curso primário e o ginasial, ou seja, após completar o quarto ano primário o aluno se quisesse continuar a estudar tinha que passar no exame de admissão.

Em Delmiro Gouveia era comum acontecer uma espécie de cursinho preparatório nas férias dos meses de janeiro e fevereiro. Lembro que odiei fazer esse curso, pois perdi as minhas férias. Fui fazê-lo obrigado por meu pai. Terminei gostando e cheguei até a achar-me o tal e que já estava passado. Tanto que no dia da prova, em companhia de Luiz, filho do Seu Davizinho e colega de turma, fui pegar passarinho. Resultado: à noite naufraguei na conjugação dos verbos no subjuntivo e fui reprovado. Ainda hoje não sei para que serve saber se um verbo está nesse ou naquele tempo. Basta saber aplicá-lo corretamente. Mas a examinadora, a Profa. Carminha me reprovou. Fui obrigado a fazer o curso preparatório de um ano.

Eram tantos os alunos que a turma foi dividida em duas. Uma à tarde e outra à noite. O professor, Geraldo Liberal, diretor do Ginásio Vicente de Menezes, era de meter medo. A turma da tarde, composta em sua maioria de "molecotes", era conduzida com rédea curta. Acho até que a disciplina imposta me ajudou, pois deixei os passarinhos e me dediquei só a estudar resultando daí que obtive a primeira colocação na turma. O engraçado é que muitos anos depois o filho desse professor foi meu aluno na faculdade e ele próprio meu colega. Eu nunca tive oportunidade de dizer-lhe, porém que ele me metia medo.

O livro que estudávamos era massudo. Tinha capa dura, amarela e era dividido em quatro partes: português, matemática, geografia e história. Quando já estava cursando o segundo grau tive a oportunidade, junto com Abrahão, de ministrar um desses cursos preparatórios. Abrahão deve lembrar de quem foram os alunos. Só lembro de Sonia, de Zé Pedrão e Zé Bispo, filho de Mané Bispo.

Como livro era coisa rara, e era necessário para acompanhar o curso, o aluno utilizavam o expediente de comprar o que já tinha passado. Quem podia comprava na loja do Seu Zé Maria, comerciante de tecidos e outras mercadorias, além de proprietário do Cine Real, que os adquiria em Recife e os repassava a moçada. Ele vendia além do livro do Admissão ao Ginásio os outros livros para todo o curso ginasial.

Lembro que passei todo o ginásio comprando os livros ao Zé Maria e imediatamente colocando uma capa, para não sujar, com o objetivo de vendê-los no início do ano seguinte. Como eu tinha muito cuidado com meus livros, hábito que carrego até hoje, tinha sempre pessoas interessadas. Tinha até freguesa certa, uma garota muito inteligente que morava no Desvio e cujo pai tinha uma mercearia por lá.

Essas são algumas das lembranças que carrego dos meus tempos de estudante no Vicente de Menezes. Acho uma pena o exame de admissão ter acabado. Era uma tortura, mas ajudava a nivelar a garotada que ingressava no ginásio. Hoje estão querendo acabar até com o vestibular. Acho muito errado. Quem está na sala de aula hoje já sofre com o desnível dos alunos, com vestibular e tudo, imaginem sem vestibular. Aqui em Santa Catarina já tem universidade particular oferecendo ingresso só com o exame da vida escolar. O negócio é encher as burras. Continuo achando que a concorrência é salutar e só faz ajudar a todos a procurarem ser mais competentes.

Um abraço, daqui de Floripa,

Paulo da Cruz

E aí o Paulo contou a história dele. Falta a sua. Manda prá cá. Aguardo.

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postado por: <$César Tavares$> 6:12 PM


Segunda-feira, Agosto 08, 2005

UM TREM DE SAUDADES OU OS BIGUS DO MENINO ABRAHÃO.


O texto abaixo é uma colaboração do Abrahão Linconl P Oliveira. Até então ele era apenas um comentarista eventual do Blog. Agora passou a ser um também um colaborador. Suas lembranças, num tom poético-melancólico nos remetem ao tempo em que o trem passava por DG. Eu não alcancei esta época. Mas os comentários que ouvi ainda em criança sempre eram lamentosos. Desde meados dos anos 80 a antiga estação de trem foi transformada em museu. E por lá, em sua parte externa há uma locomotiva que guarda bastante semelhança com a descrita pelo Abrahão.


junho 2002


junho 1989
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O TREM DE FERRO VISTO POR ABRAHÃO

Existem lembranças que por mais que a gente fale ou comente, somente quem as viveu pode realmente sentir o prazer de rememorar.

Na minha infância, havia um elemento muito importante na vida da nossa cidade e região: O TREM DE FERRO.

Conta à história que no ano de 1859 o Imperador D. Pedro II visitou o nordeste brasileiro e teve oportunidade de conhecer nossa região. Homem de visão, juntamente com aqueles que faziam seu governo, observou que havia uma interrupção no fluxo de transporte pelo Rio São Francisco, pois entre o médio e o baixo São Francisco estavam localizadas as cachoeiras de Paulo Afonso, ainda virgem no tocante ¿a geração de energia elétrica. De Pirapora(MG) a Jatobá (PE),(atual Petrolândia) o rio era navegável. De Piranhas(AL) até a foz do rio, também era.

Dessas cabeças iluminadas saiu a idéia de implantar uma linha de ferro para fazer a junção dos 02 trechos do rio, tornando possível o acesso ao mar de quem viesse de Minas, Bahia ou Pernambuco.

Em 1883 a linha do trem foi inaugurada.

O trem favorecia o comercio local, pois era muito utilizado para transportar produtos agrícolas, equipamento, pessoas, animais, etc, entre Petrolândia, Delmiro e Piranhas.

Para nós crianças tudo aquilo era uma verdadeira festa a chegada do trem na cidade. Estávamos, quando possível, pegando BIGU até a estação ou da estação até o centro, escondido com medo do Sr. George Lisboa que, na qualidade de fiscal, obrigava os meninos a saltarem do trem em movimento.

Veio a "gloriosa revolução de 64" e um cearense desnaturado, desconhecedor da realidade local, vestido numa farda militar e montado no cargo de ministro de estado, mandou arrancar a linha do trem.

Quanta maldade! Mataram o trem. Desempregaram ou transferiram pais de família, cortaram a continuidade do fluxo do rio em nome da modernidade, do asfalto, do caminhão e do automóvel.

Talvez, por isso é que o Brasil não vai pra frente. Paises desenvolvidos da Europa e os EE.UU preservam, melhoram e desenvolvem seu transporte ferroviário. Nós matamos a idéia.


Abrahão.

E aí leitores que lembranças você tem do trem? Ao menos ouvir falar em sua história? Deixe o seu recado. Registre suas lembranças por aqui também. E você que não mora em DG na sua cidade teve algo assim? Conta então. Queremos saber.

PS: Bigu no dicionário delmirense é o mesmo que carona.


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postado por: <$César Tavares$> 5:27 PM


Sexta-feira, Agosto 05, 2005

O LEILÃO OU COMO O CHEFE DOS ESCOTEIROS EMBROMOU METADE DA CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA.

O Edmo Cavalcante (matemático e comerciante) nos enviou o material abaixo. Uma carta explicativa, o desenho e um poema de cordel. No final do poema ele me arrola como testemunha do inusitado acontecimento em solo delmirense. Eu corroboro com a versão. Logicamente que passados tantos anos o tal crime prescreveu.(risos).

Como o tema é meio restrito aqueles que foram colegas de ginásio nos idos de 1974-1977 cabe aqui alguns esclarecimentos.

O famoso chefe dos escoteiros foi uma figura sui-generis que apareceu em Delmiro. Era um camarada de pele preta, baixinho e um pouco aleijado. Isto na época. Hoje certamente ele seria um afro-descendente, prejudicado verticalmente e portador de necessidades especiais. Que coisa mais interessante esta dos tempos do politicamente correto. Mudou Tudo. Mas o personagem é o mesmo.

O tal chefe dos escoteiros era um sujeito inteligente e bem falante. Logo conseguiu um bico para dar aulas no Ginásio. Era professor de matemática e português. Um bom professor. Ninguém pode negar isto. Exigente e ensinava bem. Mas tinha os seus defeitos era metido a disciplinador e o pior: a lascar uns termos em inglês para cima da gurizada. Logicamente que ninguém naqueles tempos e naquela turma tinha conhecimentos do idioma do Shakespeare. Por isto o CHEFE deitava e rolava se exibindo. Um verdadeiro pavão. Enfim uma figura caricata.

Mas o pior não era isto. Com o tempo se revelou um verdadeiro escroque. Dava seus pequenos xêxos no comércio local. Ou seja comprava e não pagava mesmo. Quando ficou manjado na praça, passou a se utilizar os alunos para pedir taxas mirabolantes aos pais. Em alguns casos colava. Noutros não. Perguntem ao Cleiton.

Na última vez que estive em DG foram desenterrados alguns fatos interessantes e que eu não conhecia.. Só para o leitor se situar um pouco: O CHEFE DOS ESCOTEIROS morava na vila operária. Nos fundos da casa de esquina da rua Rio Branco. Ali onde ficava a banda de música do saudoso Mestre Elísio. E depois de algum tempo que ele morava por lá e já estava meio manjado na cidade, começou a desaparecer galinhas da vizinhança. E por fim até a tartaruga de estimação da casa vizinha sumiu.

Passado algum tempo o Chefe dos Escoteiros definitivamente sumiu da cidade. E mais adiante a casa foi alugada para uma outra pessoa. E quando foram fazer uma reforma e cavaram o quintal o que acharam? Penas e mais penas enterradas e mais adiante um casco de tartaruga. Desfez-se o mistério: as penosas e o cascudo tinham virado tira-gosto na boca do Chefe.

Bem agora o restante é com o Edmo Cavalcante.



Leilão no pátio interno do GVM (desenho do Edmo)

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Maceió , 18 de julho de 2005.


Caro César,

Saudações delmirenses! Grande alegria ver o texto do meu querido Barbosa Futebol Clube na tela dos Amigos. Pelo jeito seu site poderia ser uma filial do IBGE( IDGE- Instituto Delmirense de Geografia e Estatística), uma vez que você esta mapeando delmirenses por este Brasil a fora. Mas veja sou daqueles que concorda com o ditado recordar é viver. É por isso que estou mandando um texto do Leilão orquestrado pelo eterno CHEFE. Para homenagear o nosso bravo Cleiton estou dedicando o texto a ele.

A história que eu conto pode não estar 100% de acordo com os fatos ocorridos, mas mesmo assim lhe arrolei como testemunha.

O desenho(ridículo) que fiz é para dar uma idéia daquele momento, bom mesmo seria que você descobrisse alguém que tivesse fotografia do acontecido.

Abraços

Edmo Cavalcante

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O LEILÃO
Autor: Edmo Cavalcante
Para : Cleiton Feitosa



Meus amigos essa história eu vou contar
Aconteceu lá no sertão um leilão de arrepiar
Um tal professor e chefe dos escoteiros,
Nesse tipo de leilão ele foi pioneiro
Sabiamente a boca graúda divulgou
Verdade é que no dia marcado o salão
Da escola estava lotado
Escoteiro, aluno, professor, velho, velha,
Menino e tinha até doutor

O leiloeiro subitamente esolhido
Foi um pimpolho destemido
Não é que o guri se empolgou !

Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
O galeto assado estava vendido

Litro de Rum, bomba de matar insetos
No leilão tinha todo tipo de objeto
O mais cobiçado, um curioso rádio do Havaí
Estava caprichoso e misteriosamente embalado

Este objeto foi o último a ser leiloado
O pimpolho aos berros bradou:

Que maravilha de rádio vocês vão comprar!
A disputa começou, até um gaiato brincou:

Dou 15 cruzeiros é tudo que posso desembolsar!

16 cruzeiros um galego ofertou

21 cruzeiros! Foi uma senhora gordona que gritou

Por último um senhor muito empolgado que acabava de
Chegar de um povoado sentenciou:

40 cruzeiros eu pago!

Instantaneamente o chefe dos escoteiros
Assumiu o posto de leiloeiro e finalizou:

Esta vendido a esse senhor educado!
Correria e alvoroço para abrir a embalagem
De olhos arregalados o cidadão percebeu
Que tinha sido enganado

Dois lindos côcos verdes dentro da tal embalagem
Era esse o rádio!

Revoltado o homem perguntou:

Cadê esse chefe de escoteiros?
Com cinismo o gaiato afirmou:

Destino incerto e ingorado! (risos)
Cadê o home?
Alguns respondiam:
Ele sumiu
Outros diziam :
Ele é encantado!

Contei e garanto que essa história
É verdadeira
São minhas testemunhas:
Ricarti Mafra, Graça Padilha, César Tavares e Zé Pereira.



PS: O Edmo como desenhista é um ótimo cordelista. Os traços de sua pena eram melhores no passado. Podem crer. Ele era a versão tupiniquim-delmirense do famoso Carlos Zéfiro. Quem não foi colega dele de escola que não lembra dos famosos catecismos caseiros correndo de mão em mão de forma sorrateira em plena sala de aula?

E aí leitor é com você agora. Lembrava do Chefe? Ou ao menos tinha ouvido falar de desta figurinha inesquecível? Há uma foto dele no antigo site www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br . Pesquise.

E aí manda a sua história também.


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postado por: <$César Tavares$> 4:24 PM


Terça-feira, Agosto 02, 2005

AS AVENTURAS DO AVIADOR MALUCO, QUE NÃO ERA O BARÃO VERMELHO, NOS CÉUS DELMIRENSES OU MEMÓRIAS DE UM GAROTO QUE SE IMAGINAVA NA BATALHA DA INGLATERRA.


Era um bicho feito este.

Outra fantástica colaboração que recebi por email do Eraldo Vilar. Vamos ao texto.

Caro César:

Caso ache interessante para seu blog, quero relembrar as histórias que ouvia na minha infância, sobre as peripécias cometidas pelo aviador da fábrica (Sr. Nestor), quando das viagens que fazia entre Recife e Delmiro Gouveia.

Não sei se as gerações delmirenses, mais jovens que a minha, sabem que, nos anos 60-70, o pagamento dos operários da Companhia Agro Fabril Mercantil--pertencente na época ao grupo empresarial Vicente de Menezes e gerenciada pelo senhor Antônio Carlos (figura quase mítica em Delmiro, que infelizmente veio a se suicidar) ¿era feito semanalmente, em dinheiro vivo (olha aí:...a mala do dinheiro é coisa antiga..rs).

A matriz da Fábrica ficava em Recife e, portanto era de lá que vinha o malote de dinheiro.

Não havia agência de banco em Delmiro na época, de modo que a fábrica possuía uma avião de pequeno porte, marca Beechcraft Bonanza, (famoso pela solução inovadora do leme em ¿V¿(conforme foto acima), para efetuar o transporte do dinheiro de modo seguro e rápido.

O ¿vôo do pagamento da fábrica¿ era feito às sextas-feiras; lembro que chegava em Delmiro em torno das 16-17 hs .

Pilotava o pequeno avião o famoso Nestor, experiente piloto, tendo voado muitos anos para a Fábrica.
O avião costumava passar no sentido longitudinal da rua do Comércio, e passava tão baixo que eu, menino irresponsável, costumava aguardá-lo nos fundos da casa de comércio de meu pai (Bazar das Novidades, mais conhecido como ¿armarinho de ¿Seu¿ Zé Alves¿ para tentar atingí-lo com minhas balas de estilingue ( no início, balas de barro, que eu mesmo fazia, depois, com medo de causar danos, com mamona..rs).

Felizmente nunca acertei, pois o ângulo de visão era pequeno e o avião passava a mais de 300 km/h, mas naquele momento eu me sentia um soldado de uma unidade de artilharia antiaérea inglês tentando abater um ¿Stuka¿ , (bombardeiro alemão de mergulho da II Grande Guerra)...rs rs...rs...a mente infantil é uma coisa fantástica.

Bem, corriam estórias em Delmiro sobre as peripécias do Nestor. Uma delas era que ele costumava pôr motoristas para correr dando-lhes susto com o avião: a coisa funcionava assim: no trajeto Recife-Delmiro, Nestor via caminhões em sentido contrário ao seu, alinhava com estrada e baixava o avião como se fosse pousar...rss...O coitado do caminhoneiro via aquele avião vindo à toda, voando em sua direção a 300 Km/hora e fazendo sinais de luz indicando que ia pousar na estrada...Só que apenas 400 metros á frente do caminhão.

Os coitados jogavam o caminhão para o acostamento, brecavam bruscamente e saiam correndo da cabine, quando então viam o Bonanza fazer só um rasante, com barulho enorme, e passar balançando as asas de um lado para outro (movimento padronizado na aviação, que significa: ¿eu vi você¿, usado quando aviões buscam náufragos no mar ou perdidos no deserto ou no gelo, ou saudando tropas amigas)...Pode imaginar a cara dos coitados?..rs

Outra estória era a de que Nestor, ainda voando alto, via pessoas colhendo milho, com balaios (cestos) na cabeça, nos campos das imediações do pequeno aeródromo da Fábrica, então descia sorrateiramente contra o vento para que não ouvissem muito cedo o ronco do motor e dava rasante em cima delas, com o motor rasgando, fazendo com que as pessoas largassem os balaios e saíssem correndo..rs...

Outros contam que ele era sujeito brincalhão, mas prestativo: crianças com coqueluche eram levadas para breves vôos sobre Delmiro (parece que a diminuição da pressão nos brônquios fazia parar os acessos de tosse seca).
Só que ele fazia acrobacias: loopings, tunneaus-barril, parafusos, etc....O carinha voltava curado da tosse, mas em estado de choque e com algo nas cuecas que não era bem dinheiro do PT..rs..

Eu não confirmo as estórias, mas muitas pessoas falavam isto na loja de meu pai.

Talvez fossem apenas lendas urbanas..rss.

Alguém mais pode confirmar? Paulo? Abrahão?


Um abraço

Eraldo



No período em que fui funcionário da fábrica(1976-1981, na divisão de confecções, a cidade já possuía agência bancária(Produban). Portanto o avião não trazia mais malas de dinheiro(ops). No entanto quando das visitas do Sr. Antonio Carlos Menezes ou do seu sobrinho Seu Lula o avião era utilizado. Não sei se o famoso Nestor ainda era o piloto da fábrica. Lembro apenas que quando o ronco do motor se fazia ouvir, mesmo que longinquamente, o Lourenço Marques, gerente da camisaria, ficava eletrizado e enchia a paciência dos outros chefes(Alonso, Miguel, Doda, Valmir(Bafão) entre outros, cobrando que tudo estivesse na mais perfeita ordem. Estes chefes por sua vez cobravam da gente. Ou seja a famosa escala hierárquica em marcha acelerada se fazia sentir. E a mim César apenas um peão da Silva Sauro só restava chutar o cachorro quando chegava em casa. (risos).

E aí manda a sua história também. Aguardo.


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postado por: <$César Tavares$> 6:11 PM



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