AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA

César Tavares abre suas malas cheias de recordações e lembranças dos tempos passados em Delmiro Gouveia, uma cidade sertaneja de Alagoas, de sua gente e dos fatos do cotidiano. E faz um convite aos visitantes para abrirem também as suas malas, baús, gavetas e álbuns; e retirar: histórias, causos, e fotos do passado e do presente delmirense.



Terça-feira, Julho 26, 2005

Comentário aos comentários.

Olá parcos leitores,

Como sei que todos não têm a curiosidade de procurarem nas postagens mais antigas novos comentários. Geralmente o leitor fica apenas no último post. Mas eu habitualmente, por dever de ofício(risos) dou uma rápida espiada. E olhem que legal! Num texto do dia 02 de maio de 2005, eu tinha colocado uma foto antiga (que aqui reproduzo) e falava um pouco sobre as pessoas que apareciam nela.


O Lula é o segundo sentado da esquerda para direita

E fiz este comentário abaixo:

Lula, era o presidente da turma. E nada mais sei sobre ele. Seria legal alguém dizer ao menos onde ele está e o que faz. Fica a sugestão.

E pincei para cá hoje estes comentários

Olá César foi um prazer encontrar este site onde podemos contar alguma coisa sobre nossa terra. A homenagem sobre Lula Marques foi fantástica é meu irmão. eu TB TENHO UM CAUSO P/ CONTAR SOBRE MEU PAI LUIZ MARQUES Ele foi um dos melhores sanfoneiro desta Região. tocava muito nas quadrilhas que a Dona Angelita Souza Oliveira gostava de realizar nos festejos junino. Eu era muito pequena e lembro quando ele ia tocar em algum lugar minhas irmãs mais velhas subiam em um banquinho e cantava . um grande beijo. JISELDA | Email | 31-07-2005 19:15:29


Olá Sr. César Tavares, eu sou filho de Luiz Marques Filho (Lula Marques). O meu pai ainda mora em Delmiro, onde não pretende jamais sair, ele se aposentou pela Fábrica da Pedra e tem três filhos e três netos. Gostei muito da sua homepage, recordar é viver...Eu hoje moro em Maceió, mas quando for a Delmiro entre em contato, falei ao meu pai sobre a sua homepage ele acho muito bom. Um grande abraço de um sertanejo amante da sua terra. Rodrigo Marques | Email | 30-07-2005 19:09:58


Pessoal, o Lula da foto é o meu tio, ele ainda mora em Delmiro e a esposa dele chama-se Carmem ela tem uma loja na "Rua", Carmem Modas. Abraços Raquel | Email | 27-07-2005 17:06:56

Agora os amigos do Lula estão atualizados. Talvez velhas amizades possam ser reavivadas.

E será que teremos notícias atualizadas das outras pessoas? Falta alguém falar sobre o grande futebolista Gilmar de Neneco.

Aguardo.

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postado por: <$César Tavares$> 1:14 PM


LENDAS URBANAS DELMIRENSES OU HISTÓRIAS CONTADAS NA SOMBRA DA TAMARINEIRA.


Mais um email recebido. Quem enviou foi a Samara Almeida. Apenas fiz pequenas adaptações. O texto fala por si.


Samara: uma delmirense fanática

César

É com imensa alegria que visito seu site e descobri que tem alguém como eu, a prestigiar a cidade onde nasceu. Sou irmã (gêmea) da Simara (a dos carros de boi) e gostaria também de deixar as minhas considerações. Nasci(emos) e me criei nesta cidade de pedra(literalmente falando) pois a mesma é construída em cima de um grande rochedo, daí seu nome.Admiro imensamente o seu fundador, que foi um dos mais empreendedores que este planeta já teve.

Gostaria de relembrar alguns fatos do passado, que a Simara esqueceu:Tinha uma mulher que morava perto do cemitério, por trás da escola Luiz Augusto, e que todos diziam que a mesma era vampira e coisa e tal. A coitada só era feia, e depois de muitos anos descobri que ela cuidava de uma mãe paralítica e de uma irmãzinha pequena. Criança inventa cada coisa né?

Também lembro dos carnavais, do bloco bafo da cana, onde o Tadeu Mafra era que comandava a bateria. Minha família propriamente dita é de Pernambuco, do povoado de Caraíberas-Tacaratu (por parte de minha saudosa mãe) e de Afogados de Ingazeira(por parte do meu amado pai).

Todos da Rua Pe Anchieta conhecem e conheceram o Mané Brandão da caçamba verde. Ele colocava material de construção (barro, areia, pedra) para a comunidade e seu caminhão não tinha freio, então quando ele apontava no alto da rua todos corriam com medo, pois só parava quando perdia a força do motor lá na tamarineira. Já pensou que emoção. E a meninada toda corria e gritavam alucinadamente: LÁ VEM MANÉ BRANDÃO

Você conheceu a Cicinha Brandão, ou Cicinha cantora? Era como todos a conheciam. Ela ensinou no GVM em meados dos anos 70, e ganhou muitos festivais da canção, lá no Cine Pedra. Ela era amiga de Graça Padilha, Ledinha, Chico Bar. Pois é, ela é minha irmã. Conheceu Petrúcio Corno, filho de Luiza do hotel, irmão de Côca, da professora Conceição, Casado com Cícera professora da Delmiro Gouveia? Os dois (Petrúcio e Cícera são meus sogros).

Tenho o maior orgulho de dizer que moro na casa que Delmiro construiu na vila (Moro na Rio Branco), mas continuo gostando da Padre Anchieta e da Tamarineira (por sinal comi muitas e ainda fico com água na boca só de pensar). São essas e muitas outras que por ora não me lembro das minhas recordações. adorei saber de sua iniciativa e já estou divulgando para meus amigos.

Beijos.Samara Almeida

É gratificante receber um email assim. As lembranças da Samara trazem saudades. Ninguém havia falado por aqui e nem eu mesmo mais lembrava da frondosa tamarineira que deu nome a rua. Apesar que nunca chupei nenhum tamarindo por lá. A primeira que fui apresentado ao fruto foi quando chegamos em DG, mas provei o bendito fruto na casa da minha Tia Tonha(que ainda mora na rua D.Pedro II). Hoje ainda adoro frutas cítricas. Mas tamarindo mesmo só o suco de sua polpa.

Samara assim como toda criança ajudou a alimentar as lendas urbanas. Uma vampira em pleno sertão é algo bem interessante. Mas entendo o seu medo. Afinal eu também tinha muito medo do Américo Carvoeiro, do Tarzan e de outros doidos delmirense.(opa doidos não. Nestes tempos politicamente corretos são pessoas portadoras de distúrbios mentais) ou seja: malucos mesmos. Mas não era só os doidos não. Pergunto aqui quem não teve medo de ser carregado pelo PAPA-FIGO? Eu tinha.

Das pessoas citadas pela nossa nova colaborada Samara só conheço a Graça Padilha, a mesma foi colega minha do GVM e do 7 de setembro em Paulo Afonso. Gente boa. E imagino que o pai da Samara o Sr. Mane Brandão deve ter sido uma figura sui-generis e sua lembrança deve ter marcado as gerações delmirenses posteriores a minha e a de outros leitores.

E aí só falta você agora mandar a sua história. Aguardo.


E a Simara mandou as fotos abaixo.

Formatura da Cilcinha: Clube Vicente/1977. Simara e Samara(quem é quem?)

Cilcinha cantando aos 14 anos num festival em DG(final dos anos 60)
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postado por: <$César Tavares$> 1:06 PM


Segunda-feira, Julho 25, 2005

EDUCADORES

O Paulo da Cruz, professor da UFAL, manda mais uma colaboração. O legal disto tudo é que as coisas que ele narra, antecedem o tempo em que morei em DG. Pessoalmente não conheci a maioria das pessoas citadas. O importante disto tudo é que o Paulo hoje um renomado professor resgata e deixa sua homenagem aqui para aqueles que fizeram parte de sua formação. Pena que poucas pessoas leiam o blog. Mas seria bastante interessante que algum parente das pessoas citadas lessem a sua narrativa. Eu certamente se fosse um deles ficaria um tanto comovido com a homenagem.

Ele também nos remete uma espetacular foto antiga. Curto bastante isto.

Sem muito arrodeio e firulas vamos ao texto.


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César

Numerei as pessoas que aparecem na foto e abaixo forneço as informações de que disponho. Onde aparece um asterisco é porque a informação não está atualizada.


1. Conceição, filha de D. Luiza, dona de um hotel que ficava na Av. Castelo Branco, em frente ao Grupo Escolar Delmiro Gouveia. Reside em Maceió e ao que me consta é formada em Psicologia.
2. Paulo da Cruz ( Paulo Cruz). Administrador de Empresas, atualmente faz doutoramento em Engenharia de Produção.
3. Danúzia, prima de Eliseu Gomes Neto (Leleu). Proveniente de Glória-BA. Reside no Estado da Bahia*. Não tenho informações se fez curso superior e sobre o que faz atualmente.
4. Socorro (Côca), irmã de Conceição. Mora em Maceió.
Luiz Roberto, filho do Sr. David Marques (Davizinho). Engenheiro Elétrico, trabalha e reside em São Paulo*.



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Início dos anos 60, mais precisamente 1962, aporta em Delmiro Gouveia o Prof. Mauro para ensinar no Ginásio Vicente de Menezes. Alto, moreno, bem falante, fez logo muitas amizades e iniciou o seu ofício de professor de matemática. Se não me falha a memória era um bom professor e melhor ainda, pelo menos para seu alunado, não sacrificava os discentes nas provas. A turma do primeiro ano ginasial foi para o segundo sem maiores sacrifícios. Para todos nós, um grande professor. No entanto o professor Mauro foi embora, não lembro a razão, se foi algum conflito com a direção do ginásio ou um emprego melhor em Maceió. Foi contratado então outro professor, Antonio Maximino, também amigo dos alunos, porém extremamente ¿Caxias¿. Afirmava que ninguém filava, (termo que se usava à época em DG para colava) em em prova sua. A primeira vítima foi o Saulo Queiroz (por onde anda), que após afirmar ter filado, e ainda mais, mostrado o papelzinho com os cálculos, ganhou um enorme ZERO. Pois bem, o Prof. Maximino ao final do ano fez uma limpeza total na turma segundanista e quase inviabiliza um terceiro ano em 1964. Passaram apenas quatro alunos, alguns somente (como foi o meu caso) após uma prova de recuperação. Foi um santo remédio. Matemática passou a ser disciplina prioritária nos estudos de cada um. Talvez poucos daquela geração lembrem o Prof. Maximino, mas com certeza, por conta de sua ¿caxiagem¿ seus conhecimentos matemáticos ficaram mais sólidos. Enquanto as outras turmas continuaram inchadas de alunos, o terceiro ano ficou encolhido, apenas 6 alunos, 4 (Luiz Roberto, Danúzia, Elenice e Paulo) que conseguiram se safar, 1 reprovado da turma anterior (Vanice) e 1 que chegou transferido (Conceição).


Duas pessoas que talvez as novas gerações de delmirenses nem tenham ouvido falar, mas que, na sua época, tiveram importância no processo de alfabetização da garotada foram duas professoras que atuavam fora da rede oficial de ensino: D. Maria Pinto e D. Maria Damasceno. Nessa época não existia jardim de infância e elas tiveram papel importante alfabetizando a meninada e providenciando reforço escolar aqueles que já freqüentavam o grupo escolar. As escolas dessas mestras, chamadas de ¿escolas particulares¿ eram também uma forma dos pais tirarem os seus filhos da rua e pô-los para fazer o dever de casa. Nessas escolas a ordem dos pais era, pode meter a palmatória se não quiser estudar, e elas não se faziam de rogadas. A palmatória campeava. Era uma pedagogia que hoje seria totalmente desaconselhada. Mas aqueles eram outros tempos e outras formas de agir. Muita gente q eu hoje está de cabelos brancos deve lembrar dos ¿bolos¿ que levou na escola. D. Maria Pinto e D. Maria Damasceno, com sua pedagogia, reprovável nos dias de hoje, mas que funcionava naquela época, foram responsáveis pela formação de bons cidadãos e merecem serem lembradas pela contribuição que deram à cidade.
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E aí você lembrava destes mestres? Não fui aluno da D. Maria Pinto e nem da D. Maria Damasceno. Mas lembro vagamente que estudei com uma professora chamada Pretinha. Morava ali também na rua do ABC, não sei se era filha do Sr. Monteiro que era diretor do GVM. Acho que isto foi no segundo semestre de 1969. Eu havia perdido o ano regular porque tinha sofrido um acidente e quebrado o braço e perna direita de uma só vez. E com isto fiquei meses engessado e impedido de ir à escola. Após tirar o gesso, minha mãe para que eu não perdesse o ano por inteiro e não ficasse de vagabundagem pela rua, matriculou-me na escola da Pretinha. Bem aprendi alguma coisa por lá.

E você teve algum mestre(a) que marcou a sua infância? Deixe aqui o seu relato.


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postado por: <$César Tavares$> 4:34 PM


Segunda-feira, Julho 18, 2005

GEOGRAFIA FÍSICA E HUMANA DA CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA OU AS LEMBRANÇAS DE UM MENINO DA RUA DO ABC.

O Paulo da Cruz, professor da UFAL, enviou mais uma colaboração para o blog via email. Como o material é farto será inserido em mais de um post. Como boa parte do texto fala sobre a famosa Rua do ABC, ilustra este post uma foto da tal rua. Mas a foto é do início dos anos 70. Ou seja: alguns anos após os fatos narrados pelo Paulo. No entanto todas as pessoas citadas em seu texto ainda eram vivas e bastante conhecidas.

As pessoas que estão nesta foto são:

1 Nivaldo : ainda reside em DG. Trabalha como médico legista
2 Edmo Cavalcanti : mora em Maceió. Matemático e comerciante.
3- Lulinha de Zé de Olavo. Talvez ainda more em DG.Não tenho maiores informações
4- Jorge: deste não sei mais nada deste 1973 quando fizemos juntos o famoso curso de Admissão ao Ginásio.(que dá um belo futuro post falar sobre o que diabos era este bendito curso de Admissão. Para as novas gerações não pensarem que era algum bicho ou coisa de se comer) (risos)


Rua do ABC no inicio dos anos 70. Atenção para arquitetura e a moda
da época.


Sem mais delongas: Vamos ao texto do Paulo da Cruz. Ele fala por si.

LEMBRANÇAS (algumas reminiscências dos anos 60)

Cada vez que vou a Delmiro Gouveia eu me surpreendo. Também pudera, passo anos sem por os pés na cidade.. Alguns poderiam até dizer que eu perdi as raízes, mas não é verdade. Minhas raízes lá estão fincadas, digamos até porque a minha família tem mais de um século que por lá chegou. Delmiro Gouveia nem existia, era um entreposto da via férrea, tinha o nome de Pedra e fazia parte do município de Água Branca. Desde então muita coisa mudou, para melhor e para pior. Tudo depende da perspectiva de cada um. Estive em Delmiro Gouveia na penúltima semana de fevereiro deste ano. Fazia na ocasião uma pesquisa para a Universidade Federal de Alagoas que está estudando a possibilidade de ir para o sertão. Se isso vier acontecer, mesmo não abrindo uma faculdade em Delmiro, com certeza será um grande avanço para o povo sertanejo. Como há muito tempo não ia a Delmiro deparei-me com uma cidade diferente e imediatamente veio-me a lembrança a velha cidade dos anos 60, sem facilidade de acesso a capital (eram sete horas de ônibus por estradas esburacadas e poeirentas), modorrenta, sem televisão, mas uma excelente lugar para se morar. Tinhamos as sorveterias do Zé Raul e Zé Toquinho. Quem daqueles tempos não lembra do Neguinho do Picolé percorrendo as ruas de Delmiro. Era uma figura popular. Tinhamos os bares de Maninho e Bilú. Nos dias de baile (era um dia diferente na cidade) a pedida era antes passar no Bar do Maninho e nos intervalos dar um pulo no Bar de Lula Braga (não vou falar detalhes sobre o sanduíche pois isso já foi abordado por aqui). Tinha a balaustrada, que servia de cadeira, apoio e dividia a cidade em duas partes: a da fábrica e a da prefeitura. Tinha a mercearia de Conde (Condillac). Quem não lembra de Conde que quando andava de bicicleta se olhasse de lado caía. Tinha o trem para pegar carona (bigu) da estação até o centro da cidade dia de quarta-feira à tarde. Tinha a Turma da Rua do ABC, a Turma do Desvio, a Turma do Bom Sossego, a Turma da Vila e as suas rivalidades. As vezes alguns integrantes da Turma da Rua do ABC iam até o Desvio para tirar a prova dos nove de quem era mais forte (imaginem como isso era feito).
Por falar em Desvio a origem do nome do bairro está ligada a estação do trem. Lá tinha um pequeno trecho para o trem manobrar e ao fazer isso ele era desviado para uma linha auxiliar de poucos metros de extensão. Essa linha auxiliar era chamada de desvio. Daí o nome passou para a área circunvizinha e batizou o bairro.

* * *

No início dos anos 60, essa década maravilhosa para muita gente, eramos todos, eu Abrahão, Eraldo, garotos que moravam ou na Rua do ABC, ou nas suas adjacências. A Rua do ABC na realidade já tinha outro nome: Rua da Independência. Ela começava a partir da casa do Dr. Ulisses Luna e estendia-se até se perder de vista. Uma parte era calçada e a outra ficava entregue a poeira. Quase que separando a rua em duas ficava a Rua da Travessa, creio que hoje deve ter outro nome. Ela dava acesso à Rua do Progresso (atual Castelo Branco), onde funcionava o comércio. Na Rua da Travessa tinha comerciantes e artesão. Lá ficavam as barbearias, a marcenaria de Cícero de Duca, o ateliê de alfaiate de Lula Braga e também a mercearia do Seu João Inácio.
Quando o Dr. Ulisses foi prefeito ele atendeu uma antiga solicitação dos moradores mais pobres da Rua do ABC (ainda prefiro esse nome) e calçou o restante da rua. No final das obras ele estava fazendo uma inspeção e encontrou a professora Maria Damasceno, e disse: Maria, acho que agora vai precisar um novo nome para essa parte que foi calçada. Que nome você sugere ? Ela respondeu: Acho Pe. Anchieta o nome muito bom. Ele gostou do nome e assim a Rua do ABC (Independência) foi desmembrada e surgiu a Pe. Anchieta.
Ficou então a dúvida: onde termina a Rua do ABC e começa a Pe: Anchieta. Alguns diziam que terminava na mercearia do Seu Zé Leite e outros no começo do beco, após a casa de Pepedo (será quer esses nomes ainda são lembrados?). A discussão demorou pouco. Um dia alguém chegou e colocou o uma placa na parede da casa de Dona Leobina (nome da proprietária) após o beco e tudo se aquietou. Creio que poucas pessoas sabem desse fato. Fica então aqui registrado para as novas gerações.
A rua foi desmembrada, mas tudo continuou como antes. Continuaram as amizades, as desavenças infantis, as peladas, jogos com castanhas de caju, pião e peteca, soltar raia (papagaio ou pipa), avião, enfim, tinha muito o que se fazer. Foram tempos bons.

* * *
Muitos dos garotos que cresceram na Rua do ABC ou suas imediações tornaram-se grandes profissionais. Vou citar alguns de quem tenho notícias: Eraldo (geólogo), Kleber (Veterinário), Abrahão (engenheiro), Luiz (de Davizinho ¿ engenheiro), Delmiro (de Dr. Ulisses ¿ advogado), Capistrano (de Cacilda ¿ geólogo), Elias (de Seu Enoque do IBGE ¿ advogado), Cláudio Pantaleão (advogado). Os demais, e são tantos, como os filhos de Joãozinho de Marocas, Itabira, os filhos do pastor da igreja evangélica, os filhos de Zé Craibeiras e os de Antonio Enfermeiro, os filhos de Antonio Nezinho, os filhos de Mestre Heleno e os de Benedito Freire. São tantas pessoas que com certeza vou cometer injustiça em não citá-los. Conviver com essas pessoas foi muito bom. Acredito que todos os leitores desse blog tem lembranças semelhantes com outras pessoas.


E aí você conhecia tudo isto que o Paulo resgatou? Sério você lembrava dos passeios de bicicleta do Seu Conde? Será que você era também um daqueles moleques que gritavam seu nome só para ele olhar para trás e levar uma queda da bicicleta?

Particularmente eu não conheci todas as pessoas. E infelizmente não cheguei a ver o trem em funcionamento. Uma pena.

E você leitor quando é que vai enviar a sua colaboração?


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postado por: <$César Tavares$> 3:18 PM


Quinta-feira, Julho 14, 2005

UM OLHAR SOBRE O PASSADO DELMIRENSE OU
RECORDAÇÕES DA SIMARA



Simara e família

O texto abaixo é um email reproduzido na íntegra com autorização da Simara. Ela descobriu o blog numa destas andanças pelos Orkuts da vida. E logo deu a sua contribuição. Simara faz parte de uma geração bem mais nova que a minha (e dos outros poucos leitores do blog). Mas também é uma delmirense saudosista.
Bem vamos ao email(texto em negrito). Logo abaixo faço as minhas considerações.

Olá César, bom dia!

Bem, tenho muitas recordações de minha infância... O CinePedra, onde as crianças (sou uma delas) participavam de matinês nos finais de semana, assistindo a filmes antigos, sempre se coçando, por causa dos mosquitos e percevejos (rs), mas muito divertido!
As peças teatrais onde dona Auxiliadora (professora de religião do Delmiro Gouveia) organizava as peças, do curso de catecismo, onde aprendíamos a fazer artesanato com bolinhas de gude e massa....pinturas, crochê, que bons tempos!
Apesar de pequena e distante da civilização de Maceió, Delmiro tinha muita diversão, quem não se lembra das matinês do Vicentão? Muito legal!
Os passeios domingo à tarde no Museu, quantas recordações!!!! Hoje ta tudo muito diferente!
Aos sábados tenho a lembrança (chego a lembrar até do cheiro, vê se pode?!rs) dos carros de boi passando pela minha casa, na Rua Padre Anchieta (próximo a praça da Tamarineira), aquele barulho característico das rodas rangendo muito legal, daí vem a figura da Altinha. Ela era uma doida, ¿moça velha¿ (mulher que nunca teve namorado), que vendia restos de feira, tudo o que recolhia e sobrava da feira, ela vendia, usava umas roupas coloridas e uns sapatos de plataforma (estilo Spice Girls), e a molecada se divertia zoando da cara dela. Ela odiava quem a chamasse de ¿gilete¿ (que significa sapatão), corria jogando pedras em quem a chamasse assim. Fui vítima algumas vezes dela (rs)!!! Daí, um certo dia, do nada, na feira ela caiu, e acabou falecendo. Como ninguém conhecia a família dela, foi sepultada como indigente, e ninguém nunca soube do que realmente ela havia falecido...
Eis aí algumas lembranças... Quando tiver mais te escrevo.
Um grande abraço!

Simara


Resposta em aberto para a nova colaboradora.

Pois é Simara já havia feito um post aqui falando sobre os cinemas delmirenses. Mas as suas saudades vêm reforçar as nossas. Realmente o Cine Pedra faz parte de nossa memória afetiva.

Não conheci a professora Auxiliadora. Que pena. Deve ter sido uma professora fantástica. Aulas de teatro tive algumas quando estudava ainda no GVM com o saudoso professor Joval.

O museu foi organizado após a minha saída de DG. Mas já o visitei por duas vezes. Vale à pena o passeio.

Do Vicentão não fui a matinês. Mas fui muito para saraus em plena época que os Bee Gees e os embalos do Travolta empolgavam o mundo. Hoje o Travolta gordo. Eu também. E careca.(risos)

Saudades dos rangidos do carro de boi foi fenomenal. Aquele barulhinho realmente cola em nossos ouvidos para a vida inteira. Isto certamente poderá dar um post futuro.

Não conheci a Altinha. Mas deve ter sido uma figura espetacular. Já fiz um post aqui sobre os loucos delmirenses da minha época. Acho super legal lembrar destas pessoas que de uma forma ou de outra marcaram a nossa infância. E você Simara descreveu de uma forma tão terna que chega a comover.

E aí leitor falta você enviar as suas memórias. Eu estou apenas monitor. O Blog é coletivo. Participe. E registre por aqui suas lembranças. Faça história. Ahhh e pode aumentar e enfeitar também. Fica mais divertido.

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postado por: <$César Tavares$> 3:52 PM


Quarta-feira, Julho 06, 2005

A GUERRA DOS MUNDOS DE ORSON WELLS OU QUANDO UM OBJETO VOADOR NÃO IDENTIFICADO APARECEU NOS CÉUS DELMIRENSES OU AINDA ESTÁ HISTÓRIA O CARL SAGAN DESCONHECIA


OVNI fotografado nos anos 60.(apenas uma analogia)


Eraldo o autor do post. Foto gentilmente surrupiada do fotolog de sua sobrinha.


O texto abaixo é um email (na íntegra) que recebi do Eraldo Vilar (Geólogo da Petrobrás). Ele havia feito um breve comentário num post anterior sobre outro tema. Mas achei o fato tão interessante que solicitei maior detalhamento. O Eraldo se queixa da memória. No entanto o relato está ricamente narrado.Preciso. Com observações de um estudioso no assunto. Eu achei tudo muito fascinante. E certamente está dentro do espírito do blog. O resgate de coisas acontecidas na nossa Macondo sertaneja: Delmiro Gouveia.
O bom disto tudo e que agora tenho colaboradores para tocar este arremedo de blog. E assim aos poucos vamos ampliando o leque de histórias delmirenses.



EIS O EMAIL DO ERALDO VILAR.

Caro César:
Ok, tentarei descrever o fato com mais detalhes, conforme pediu.
Antes disso, quero dizer que leio, sempre que posso, seu blog, que é uma gostosa forma de voltar aquela terrinha, cujas paisagens e povo, certamente são responsáveis por parte do que hoje somos.
Parabéns, vc escreve muito bem, de forma agradável.
Não desista, temos sido meio preguiçosos (eu e Bráulio, meu amigo e companheiro de profissão e empresa). Tentaremos mandar mais "causos" que venhamos a relembrar.
Quanto ao OVNI: .Eu era adolescente (nasci em 54) e ainda brincava de estilingue, por isso suponho que tinha entre 10 e 13 anos, o que situaria o evento entre 1964 e 1967, com maior probabilidade em 1964, por minhas lembranças. Quando a gente chega aos 50 anos, as lembranças começam a se embaralhar..rs
Meu sonho de criança era ser aviador e sempre gostei muito de ler. Era fascinado pela história da segunda guerra mundial, despertado que fui por uma coleção (acho que da Time) luxuosa do Sr. Eliseu Gomes, pai do Lêlêu, (se não me engano, promotor aposentado) que morava perto do Inss, na praça central.
Era eu amigo do Lêlêu e por meio dele tive acesso aos livros, os quais, detalhavam a batalha da Inglaterra, onde Spitifires e Messerschidmts se digladiaram. Fiquei fascinado.A partir dali, adquiri o hábito de ler sobre aviação, o qual mantenho até hoje, lendo Flap, Força Aérea, etc.

Por adquirir este gosto, passei a ler tudo sobre aviação que me caía nas mãos, tendo chegado até conseguido catálogos de identificação aérea por meio de silhuetas (catálogos onde se vê aviões de guerra e comerciais de frente, lado, frente, trás, cima, por baixo, etc.), de forma que me tornei muito capaz de identificar quase todos os tipos de aviões no céu ( o da fábrica de Delmiro , por exemplo, era um Bonanza, de cauda em "V") , balões juninos, balões metereológicos,helicópteros, etc.
Sempre que ia de férias a Salvador, ia ao aeroporto 2 de Julho, onde pude ver uma gama de aviões que não voavam em Delmiro.
Cito estas coisas para firmar o seguinte: apesar de minha pouca idade, na época, talvez eu fosse a única pessoa capaz de identificar qualquer objeto aéreo que voasse nos céus de Delmiro.
Por isto, nunca tive dúvidas: aquilo que eu (e centenas de pessoas) vimos em Delmiro, naquela noite, não era avião, balão, helicóptero, etc...portanto era um Objeto Voador Não identificado. Se era de outro planeta..não sei..mas, seguramente não era um objeto voador conhecido.
Era início da noite, seguramente entre 18 e 19 hs, pois meu pai sempre jantava nesta hora e sempre jantávamos juntos. Estávamos eu, meus pais e meus irmãos Gildete e Betinho. Lembro-me bem que começamos a ouvir uma gritaria na rua do ABC, onde morávamos (minha irmã Gildete ainda mora na casa, meu pai morreu em 1981 e minha mãe em 2004. Meu irmão Betinho mora em outra casa, por trás dos correios).
A gritaria aumentou muito e despertou nossa curiosidade. Saímos todos à rua e nos deparamos com muitos vizinhos e transeuntes olhando o céu, e falando alto, excitados.
Olhei e vi aquele objeto enorme (dimensões que creio estavam entre 30-50 m, sendo difícil precisar, mas como eu costumava observar o avião da fábrica quando vinha Recife e passava baixo, creio que o OVNI tinha 3 -5 vezes o tamanho do mesmo.
O OVNI estava neste momento uns 150-200 m de altura sobre a casa que hoje mora Maria José Moreira, minha ex-professora de desenho no GVM. Tenho a noção desta altura também por analogia com o comportamento do avião da fábrica, cujo famoso piloto (Nestor) , costumava dar rasantes sobre a rua do comércio, para chamar a atenção do táxi que ia buscar os passageiros no pequeno aeródromo da fábrica.
Deslocava-se lentamente (estimo 5-10 km/h) sem emitir o menor som!.
Vinha do sul para o norte (situando-se em Delmiro uma trajetória do cemitério novo e a igreja da fábrica, ou seja, cruzando 90 graus a rua do comércio), seguindo em direção à Agua Branca.
Passou diretamente sobre minha cabeça, quando pude ver sua forma perfeitamente circular.

A noite estava estrelada, sem nuvens baixas.
Lembro disso porque aquele objeto me propiciou uma visão linda e fantástica. Meu coração queria sair pela boca, pois já tinha lido muito sobre os avistamentos de Ovnis (que começaram a ser relatados em 1954, por Kenneth Cooper, piloto civil que teve um encontro com um OVNI nos céus de um estado americano, se não me falha a memória. E ali estava um OVNI!!..pode imaginar a emoção de meu coração de menino?
Pude notar que a face inferior do objeto, era composta por partes trapezoidais (as bases menores se juntando no centro, formando uma polígono).
A princípio até pensei em balão, mas o gigantismo do objeto depunha contra esta hipótese. Além disso, vi inúmeros balões em minha adolescência, e balões tem um luz bruxuleante típica, causada pela mecha de fogo que aquece o ar e assim o mantém no ar. Neste objeto, percebia nitidamente que a luz interna que iluminava cada trapézio era firme, "fria" (à semelhança da emitida por lâmpadas fluorescentes). Era luz colorida, lembro-me de pelo menos duas cores:vermelha e azul pálidos.
Um outro detalhe ajudou a me certificar de não ser um balão: o vôo era reto, muito linear mesmo e em direção transversa ao vento fraco (mas presente) que soprava naquela noite, fato que lembro bem.
Os trapézios eram circunscritos por uma borda opaca, que dava a forma circular, de matéria opaca, que constituía a borda do OVNI. Esta parte opaca tinha aspecto talvez metálico, enquanto que os trapézios deixavam passar a luz, como se fossem janelas de piso, de observação.
Não se destingiam formas dentro do OVNI, apenas a luminosidade interna, fria e difusa.
Como eu disse, corri para minha casa, peguei meu estilingue e minhas pedrinhas de barro redondas e me juntei aos demais meninos, correndo pela travessa do bar do Zé Toquinho (une a rua do ABC à rua do Comércio) e quando cheguei a esta rua, fiquei embaixo do disco e comecei a atirar nele com o estilingue...rs. Nunca ouvi som, nem modificação no objeto. Nem sei se acertei...era uma excitação que vc pode imaginar..rs
Acompanhei o OVNI, junto com muitos meninos (infelizmente, na minha excitação, não lembro de quem eram, poderiam dar outros depoimentos) até a Igreja da Fábrica, quando parei ( a esta altura, com certo medo) e o vi afastar-se lentamente em direção ao bairro do Bom Sossego e Água Branca.
Engraçado como reagimos a algo que não podemos explicar!..Após todo o alvoroço, voltamos todos para casa , após milhões de comentários excitados, claro...e fomos viver nossas vidinhas...aos poucos, isto se perdeu na poeira do tempo, quase sem registro.
Digo quase, porque nos depois, em 79, no Rio de Janeiro, conversando com um primo meu (Wilson Torres) citei o fato. Para minha surpresa, ele arregalou os olhos e me disse; " Eraldo...fantástico!..eu vi!..estava vindo de carro pela rodovia Garanhuns-Paulo Afonso, indo para Água Branca, onde morava, com amigos, quando vi aquele objeto vindo da direção de Delmiro Gouveia e cruzou sobre nós , seguindo sobre a serra de Água Branca!...

Anos depois, conversando com Bráulio, aqui em Aracaju, contei a história, Para minha surpresa, Bráulio me disse que ouviu história semelhante da sua mãe! ( infelizmente hoje falecida!).
Tenho certeza que muitas pessoas daquela época, e que estavam em Delmiro naquela hora, viram o fenômeno. Porém, estas coisas vão sendo sepultadas pelo tempo e perda de memória e desacreditadas pelo espírito cético que tendemos a ter.
Pois é, caro César...fique a vontade para usar o relato no seu blog. Tomara que alguém mais da época se manifeste. Quando eu for a Delmiro vou saber de meus irmãos se ainda lembram, e te passo um e-mail depois, ok?

Saudações,

Eraldo

E aí leitor você sabia desta aventura ufológica acontecida em DG? O fato foi testemunhado e relembrado por diversas pessoas. Dê a sua opinião. Acrescente mais detalhes a tão inusitado acontecimento. Enfim envie a sua história também.

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postado por: <$César Tavares$> 6:58 PM


Terça-feira, Julho 05, 2005

O DIA EM QUE A IRA DIVINA SE ABATEU SOBRE A CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA OU A JUVENTUDE FOI À MISSA.





Igreja nova em construção. Seu Vírgilio em Pé


Vista da mesma igreja no final dos anos 90(outro ângulo)

O texto abaixo com pequenas alterações autorizadas pelo autor é do Bráulio Oliveira. Ele é geólogo da Petrobrás, e passou parte da infância e adolescência em DG. O filho caçula do famoso Seu Virgilio dos Correios. Há mais de vinte e cinco anos que ele não vai a cidade.

A foto deste post é um espetacular registro histórico delmirense. E faz parte do acervo particular do Bráulio.


O DIA EM QUE A IRA DIVINA SE ABATEU SOBRE A CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA OU A JUVENTUDE FOI À MISSA.


Caro César

A foto que estou te enviando mostra três pessoas, uma delas é o meu pai. Os outros dois são pessoas que trabalharam nos Correios em Delmiro por pouco tempo e que não lembro mais os nomes deles. Mas, o que quero destacar na foto é a igreja nova em construção na primeira metade dos anos 60.

Você lembra que a construção dessa igreja demorou muito. Certa vez, no início dos anos 70, o Padre Fernando tentando atrair os jovens, aceitou que fossem realizadas ¿missas jovens¿ na igreja velha. A primeira destas missas contou com a presença do conjunto do Reginaldo. E foi uma missa muito animada. Só que na madrugada seguinte caiu um temporal que derrubou parte do telhado da igreja em construção. Logicamente no dia seguinte os conservadores de plantão(E era o que mais havia naqueles áureos tempos no sertão alagoano) diziam que o acidente era a ira divina, causada pelo evento pecaminoso realizado, que colocou guitarra,bateria e músicas não sacras dentro da igreja e logo durante uma santa missa.


E aí leitor você tinha conhecimento destes fatos? Será que foi a ira divina mesma ou merá coincidência. Ou será mais um dos mistérios delmirenses. Dê a sua opinião. Sabia quem morava naquela casa de esquina? Hoje está tudo bem mudado por ali. No local das casas humildes há boas residências. E onde era um terreno baldio que servia de campinho ou onde os circos eram armados, hoje fica a prefeitura da cidade.

Deixe o seu recado e faça feito o Bráulio mande a sua colaboração.

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postado por: <$César Tavares$> 6:44 PM


Segunda-feira, Julho 04, 2005

O DIA EM QUE BEATLES SOUBERAM DA EXISTÊNCIA DA CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA.


Ronaldo Macarrão cantando nos anos 70.
Um artista popular. Uma lenda viva delmirense
.





O Texto abaixo veio através de email. Ele é do Paulo da Cruz, professor universitário da UFSC, delmirense. Saiu de DG em 1966. E irmão do famoso Zé Bodinho.

A letter from UK to Mr. Ronald (Uma carta do Reino Unido para o Sr. Ronaldo "Macarrão")


Foi na década de 60, aproximando-se dos seus meiados. Roberto Carlos estava
iniciando sua carreira de sucesso e os Beatles já faziam um tremendo sucesso.
No Bar do Maninho e na Sorveteria do Zé Raul, quase vizinhos, sempre se ouviam
as músicas de sucesso sendo tocadas, principalmente na sorveteria onde tinha
uma coleção de discos dos Beatles. Essas músicas, seu sucesso e o próprio
conjunto eram objeto de conversas no Bar do Maninho. Ronaldo ¿Macarrão¿, nome
derivado da sua silhueta, já tinha nessa época veleidades de baterista.

Em uma dessas conversas ele manifestou a vontade de escrever uma carta para o Ringo
Starr, mas, como mal lidava com o vernáculo isso era impossível para ele. Foi
aí que nos surgiu a idéia de escrevermos a carta por ele. A carta ficou pronta
com o auxílio de Edvaldo, de Seu João ¿do Jogo¿, que dominava a língua inglesa
com maior desenvoltura. O ¿Macarrão¿ não se fez de rogado e postou a carta para
a Inglaterra. Qual não foi a nossa surpresa quando meses depois chegou uma
resposta. Enviada pelo fan-clube de Ringo Starr, a missiva agradecia a
lembrança do delmirense em se pronunciar a partir de um país tão distante como
o Brasil.

Foi aquele rebuliço, como se diz em DG, as pessoas cercando o
¿Macarrão¿, querendo saber o que dizia a carta e passando a tratá-lo como
pessoa ilustre. Afinal ele tinha recebido uma carta dos Beatles. Na verdade do
fan-clube de Ringo Starr. Naquele momento o Ronaldo ¿Macarrão¿, todo pachola,
virou-se para o pessoal, e com toda a ¿autoridade¿ de estava investido naquele
momento disse: ¿Vou mandar outra carta pedindo uma bateria a ele¿.

Essa imagem, passados tantos anos, de tão forte ainda continua gravada na minha mente. Não
sei se o Ronaldo mandou essa carta, acredito que não, e nem sei se ele ainda
lembra desse fato, mas o certo é que naquele dia ele teve os seus 15 minutos de
fama.

Abraços

Paulo da Cruz



Eu não conhecia o fato narrado pelo Professor Paulo. Pois cheguei em DG em junho de 1969 com apenas sete anos de idade.E o acontecimento se deu alguns anos antes. No entanto cheguei a conhecer quase todas as pessoas citadas. Achei espetacular o resgate deste fato inusitado. Agradeço ao Paulo da Cruz pela colaboração na manutenção do blog. Afinal quase não tenho mais nada para contar.(risos).

E aí você leitor o que está esperando para também enviar o seu causo? Faça o seu registro. Resgate a memória popular da sua cidade


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postado por: <$César Tavares$> 3:26 PM



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