AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA

César Tavares abre suas malas cheias de recordações e lembranças dos tempos passados em Delmiro Gouveia, uma cidade sertaneja de Alagoas, de sua gente e dos fatos do cotidiano. E faz um convite aos visitantes para abrirem também as suas malas, baús, gavetas e álbuns; e retirar: histórias, causos, e fotos do passado e do presente delmirense.



Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005


Desenho de Carlos Zéfiro

LITERATURA CLANDESTINA.

O post de hoje é uma mera colagem de matéria pescada no site da Globo.(www.globo.com.br) Portanto comento pouco. Apenas digo que por vias transversas eu quando adolescente em Delmiro Gouveia tive acesso à literatura do Carlos Zéfiro.

A primeira vez que vi foi numa daquelas casas da Cohab Velha, que ainda estavam sendo construídas.Isto no início dos anos 70. Eu ainda garoto com uns 10 ou 11 anos, e de repente numa daquelas varandas ouviam-se os gritos dos meninos mais velhos. Pronto. Fui ver o que era e acabei ficando junto com os outros.

Uma revistinha ou catecismo como chamavam era disputada avidamente de mão em mão. E os comentários que eram feitos! Melhor nem falar por aqui(risos) Como naqueles tempos ninguém no sertão tinha educação sexual(nem em casa ou na escola) ali se começava o aprendizado. É meio duro se dizer isto.

Tempos depois tinha um cara que ficava sentado na escadaria do Cine Real e que sempre tinha alguma revista do Zéfiro ou umas revistas suecas, todas devidamente escondidas, e que exibia discretamente para os moleques. Não lembro mais do nome dele. E quando estudávamos no GVM sempre aparecia algum catecismo. Logicamente que era estudado discretamente nos banheiros. Nestes dias a freqüência aos WCs era intensa. E também tínhamos o nosso colega de classe Edmo, que era um bom desenhista e produzia seus catecismos também.

Hoje além da liberdade de diálogo que há entre pais e filhos o acesso a informação adequada é bem maior. Cada um é seu juiz. Ao menos para o meu filho de 14 anos, em casa não censuro nada. Não policio o que ele pesquisa na net. Há um respeito pela privacidade. Além de estarmos sempre abertos a qualquer papo.

Mas atire a primeira pedra que nunca leu ou viu um catecismo do Zéfiro? Ou vai dizer que você nunca fez uma rodinha nas horas do recreio para ver alguma coisa que não devia? Ou que não surrupiou alguma revistinha do irmão mais velho ou dos primos? Ahhhh todo mundo tem uma história desta no passado. Ou você não tem? Mas conhece alguém que teve? Então conte por aqui.


ABAIXO MATÉRIA TRANSCRITA NA ÍNTEGRA. RETIRADA DO SITE DA GLOBO.WWW.GLOBO.COM.BR

março


Rodrigo Pinto, Globo Online

RIO - Agora, você não precisa mais ler escondido. Esta frase estampará um dos cartazes de divulgação dos chamados "catecismos" de Carlos Zéfiro, as revistinhas de sacanagem dos anos 60 que estarão novamente nas bancas, em março, fiéis às edições originais (veja imagens aqui) . As centenas de histórias pornográficas que mudaram a cultura sexual no país estão sendo recuperadas e restauradas através de tecnologias mais modernas do que as que dispunha Alcides Caminha - este era o verdadeiro nome de Zéfiro (saiba quem ele foi) - em seu quarto proibido na casa em Anchieta, onde, segundo amigos, produzia suas histórias sem que a família soubesse.

Dona da famosa banca carioca A Cena Muda, que negocia revistas e livros usados, Adda Di Guimarães decidiu comprar os direitos de reprodução dos catecismos - que receberam estes nomes, segundo especialistas, por serem comumente vendidos disfarçados dentro de publicações religiosas - porque "as pessoas enlouqueciam quando encontravam um dos exemplares à venda". E, já no mês que vem, reiniciará a republicação.

- Não somente os homens enlouqueciam. Havia meninas entre as minhas melhores clientes - justifica Adda, que aposta na popularização de Zéfiro conquistada nos últimos anos (saiba mais aqui) para fazer com que as reedições ultrapassem o chamado universo "cult" e ganhem a popularidade original.

A tiragem inicial dos novos catecismos será de 3 mil exemplares. No passado, os mais de 15 editores de Zéfiro costumavam fazer 15 mil exemplares de saída. Mas em alguns casos, segundo relatos do próprio autor, a venda bateu 30 mil exemplares. A reedição promete:

- A diferença para os originais está na tentativa de padronização, que não existia. Para lançar um a cada 15 dias, tivemos que fazer adequações, mas sem interferir nos desenhos de Zéfiro - detalha Felipe Taborda, diretor de arte do projeto.

O catecismos serão vendidos a R$ 12 e terão as mesmas 32 páginas das edições originais. O primeiro exemplar será 'A Cobra', que conta as aventuras de um rapaz bem proporcionado... O texto de apresentação será do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos (leia) . Mas Adda e Taborda têm outros planos além de reeditar, nos próximos anos, os 862 livrinhos existentes.

- Vamos fazer algo como um livro de arte, sobre ele e a obra - adiantam.


Os antigos e novos fãs podem esperar, ainda, por um filme sobre o quadrinista. O cineasta Silvio Tendler prepara há anos e promete para 2006 a realização de um longa-metragem sobre a vida de Zéfiro.

- A vida dele foi interessante, um funcionário público que desenhava pornografia para se divertir e ganhar um dinheirinho e que, assim, acabou atingindo o imaginário masculino, embora eu conheça relatos de meninas que gostavam de ler - conta Tendler, que se diz "zefiriano convicto".

Apesar de explicitamente pornográficas, as revistas do Zéfiro são tidas como ingênuas por quem as "usou como inspiração" na adolescência, caso de Tendler e Taborda:

- Não há grosseria, não é uma coisa chula. Ele era um sacana sutil - brinca o cineasta.

- Como o Joaquim (Ferreira dos Santos) escreveu no texto de apresentação, as meninas na época não davam. Zéfiro permitiu, de forma popular, uma liberação de libido - acrescenta Taborda.

O próprio Zéfiro, quando questionado no início dos anos 90, disse considerar a pornografia nos moldes atuais a responsável pela banalização do sexo. Segundo ele, as histórias deviam ter início, meio e fim, como as dos catecismos.

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postado por: <$César Tavares$> 3:00 PM


Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005



PALMEIRINHA

Pegando carona no livro (Confesso Que Bebi) do cartunista carioca Jaguar, que por sua vez parodiou o poeta chileno Neruda (Confesso Que Vivi), e atendendo a sugestão de um dos poucos leitores deste blog: O Ricardo Menezes.

Falar de bares delmirenses é meio difícil para mim. Afinal naqueles tempos eu bebia quase nada, e, hoje menos ainda.

Mas vamos a alguns deles, que eu lembre. Para não ficar cansativo o post. Será aos poucos que postarei. Afinal beber devagar é um dos segredos para não se embriagar.

PALMEIRINHA ficava ao lado da minha casa. O bar tinha este nome porque era a sede do clube do mesmo nome. Os donos eram todos irmãos e futebolistas e por incrível que pareça cheguei assistir alguns jogos onde todos estavam em campo: Lada, Guel, Abel, Ninha, Pinho e Penca. E o bar-sede ficou tão famoso que o bairro inteiro terminou levando o seu nome. E sempre alguém diz: Fulano que mora lá no Palmeirinha.

Tinha apenas duas portinhas de entrada e seis mesas simples com quatro cadeiras cada uma. Era ponto de encontro de alguns operários da fábrica. Ao saírem do turno que terminava ás 18 horas, apareciam por lá para bater o ponto e jogar conversa fora. E eu criança ainda costumava ficar ouvindo as lorotas. Não tinha juizado de menores na cidade mesmo. Mas meu pai sempre que me via por lá, mandava eu de volta para casa. Bastava um olhar. E eu saía de fininho.

O que mais se vendia por lá era cachaça mesmo. Eu gostava de sentir o cheiro do açúcar misturado com limão. Morria de vontade de experimentar. Mas nunca bebi. Saía algumas cervejas também. Tira gosto como todo boteco que se preza, oferecia: ovos cozidos, mortadela, piaba e cará assados.

Costumavam ligar a radiola (putz isto faz tempo hein? Em plena era do MP3 e Ipods da vida) durante o dia e assim eu fui obrigado a aprender letras de músicas de Nélson Gonçalves, Amado Batista, Baltazar, The Fevers, Fernando Mendes(hoje virou cult depois de Lisbela e o Prisioneiro e o Caetano cantando), Adelino Moreira, Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo. Entre outros.E isto era o dia inteiro. Certamente se os irmãos Ricardo e Eduardo Menezes morassem junto ao Palmeirinha teriam sucumbido. Afinal os dois foram os pioneiros na divulgação do gosto pelo rock na cidade. Vide site: www.rockagosto.hpg.com.br

Teve uns tempos que havia uma mesa de sinuca. Eu cheguei a jogar algumas partidas no horário da tarde quando não havia adultos bebendo. E quando meu pai não estava em casa. Porque se ele visse era bronca na hora.


O Clube Palmeirão surgiu depois. E pegou carona no nome do famoso Palmeirinha. Não tenho nenhuma foto do bar. Uma pena. Em compensação para ilustrar o post de hoje vai uma fotografia que aparece no site www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br e no www.delmirense.ubbi.com.br E onde aparece uma turma praticando um esporte famoso naqueles tempos e ainda muito praticado hoje em dia na cidade(infelizmente ao meu ver): beber muito.




Quem são eles:

1) Penteado. Um bom jogador de futebol. E tinha o chute mais forte da cidade.
2) Maurício de Zé de Olavo.(interessante este lance de fulano de fulano). Interior é assim mesmo.
3) Eduardo Menezes, hoje servidor do IBGE em DG, artista plástico e músico talentoso, além de organizador de festivais de rock.
4) Edmo Garoto, hoje professor em Maceió e um calvo senhor.(vide fotos no site www.delmirense.ubbi.com.br Mudou muito.
5) Ronaldo Macarrão. O sósia de Raul Seixas. Ainda continua do mesmo jeito mesmo passado quase 30 anos após esta foto aí. (vide post em sua homenagem aqui neste blog. Arquivo de outubro/2004)
6) Ricardo Menezes, hoje engenheiro civil e morando em São Paulo. Abstêmio e vegetariano. Bebeu todas no passado.
7) Geraldo de Chico Sanfoneiro. Também conhecido por Geraldo Bocão. Era um mentiroso de primeira. Sempre exagerava em suas histórias. Mas um sujeito boa praça (que expressão mais antiga não?)
8) Simião. Morava na rua do ABC. Nada mais sei sobre ele. Era um bom peladeiro.
9) Gonçalo Oliveira. Irmão do Edmo Garoto. O Gonga foi meu colega de classe por alguns anos. Há mais de 25 anos que não o vejo.


E aí você bebeu alguma no Palmeirinha? E você que não mora em DG e nunca esteve por lá. Na sua cidade tem ou teve algum lugar semelhante? Fale por aqui. Afinal toda cidade que se preza tem seus botecos. Deixe seu recado.

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postado por: <$César Tavares$> 2:42 PM


Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005





Brincadeiras de Rua.

Notas esparsas. Sem ordem. Sem cronologia. Apenas do jeito que as lembranças vêm a tona.

Rodar Pião;
Jogar bola de gude ou ximbra como chamávamos;
Correr com um pneu pelas ruas batendo no mesmo com um pauzinho que fazia o papel de direção;
Equilibrar uma rodinha de metal com um gancho de arame;
Brincar de rouba bandeira ou barra bandeira;
Brincar de garrafão; Morria de medo de levar uma porrada;
Brincar de Passar o anel;
Brincar de Uva, Pêra e Maçã (frutas que nunca estavam presentes numa mesa sertaneja) e com uma vaga esperança de ganhar um beijo de uma menina;
Após um dia com chuva (coisa rara) brincar de jogar um ferro tentando enfiar no chão úmido e traçar linhas. Não lembro mais o nome da brincadeira ou suas regras não escritas. Mas era bem divertido;
Brincar de esconder ou esconde-esconde pulando os muros alheios e levando carreiras e esporros dos vizinhos para não quebrar os jarros com plantas;
Jogar bafo bafo com figurinhas e espertamente umedecer as mãos com cuspe para levar vantagem.(nem sabíamos ainda da existência da Lei de Gérson);
Sentar na calçada à noite um bando de crianças e ficar ouvindo histórias de trancoso ou assombração. E o medo que dava ao voltar para casa;
Fazer guerra de borrachas. Um pedaço de pau com uma pequena cavidade e uma borracha estirada para pegar força;
Meninas brincavam de casinha;
Meninas faziam roupas de boneca;
Meninas brincavam de roda. Cantavam: atirei o pau no gato, a rosa vermelha é do bem querer...
Meninas tinham álbuns cheios de perguntas que não entendíamos. Elas sempre foram mais precoces.

Algumas das brincadeiras acima citadas eram mistas. Meninos e meninas brincavam juntos.

Tudo isto eram brincadeiras coletivas. Final de tarde e primeiras horas da noite eram os horários prediletos. Independiam de férias escolares.

Será que a molecada hoje ainda brinca das mesmas coisas? Você brincou de algumas destas brincadeiras?

Não vi crianças brincando nas ruas delmirenses. Esmolando sim. Onde elas estavam brincando? Será que em casa diante da TV? Vídeo Game?

Onde foram parar estas antigas brincadeiras? Você sabe? Na sua cidade ainda existem estas brincadeiras? Deixe o seu recado.

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postado por: <$César Tavares$> 5:48 PM


Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005



Meninas...

Mocozinha, Velha Ana, Muda, Cata-Osso, Lourdes Pezinho e Percília. Você sabe quem foram estas meninas? Quem pensou que fosse a seleção delmirense feminina de vôlei, errou. Errou feio.

Estas meninas foram professoras de muitos delmirenses. Prestaram um inestimável serviço de iniciação sexual para uma porrada de adolescentes e outros nem tantos.

Eram quase todas desprovidas de beleza física. Afinal vida miserável não deixa ninguém bela. Algumas atendiam à clientela em pequenos quartinhos. Podia ser ali no Beco de Luiz Xavier ou até mesmo no Beco atrás da Castelo Branco. O sujeito geralmente passava pelos becos, como quem não quer nada (e querendo), olhava furtivamente para os lados e de repente emburacava num muquifo. Lá dentro aliviava o que tanto incomodava. Depois saía desconfiado, mais leve e com menos dinheiro. Mas feliz. Uma felicidade barata. Mesmo assim felicidade. Isto não tem preço.(não sabíamos o que era Credicard. Mas o slogan era perfeito)

Os que tinham mais dinheiro procuravam diversão no Cabaré de Percília. Ficava para as bandas da Rua do Cacete Armado. O singelo nome da rua tinha duplo sentido. O próprio e também denotava que era um lugar que havia muitas brigas. Cabaré era como se chamavam os bordéis. Ou você pensava que Cabaret era apenas um filme musical estrelado pela Liza Minelli?

Creio que hoje não há mais cabarés na cidade. Ao menos não ouvi ninguém falar quando da minha última visita a cidade. No entanto a palavra cabaré faz parte do vocabulário delmirense no sentido de grande confusão.

Estas pessoas e lugares tiveram importância em sua época, porque eram tempos em que ainda não havia a liberação sexual, não havia pílula e o moralismo hipócrita jogava os jovens as alternativas: ou elas ou a empregadinha doméstica. Ou seja, pura exploração de uma sociedade machista e patriarcal. Apesar de que ainda havia uma terceira via muito procurada nos sertões: cabras e jumentas. Putz que alternativa. Esta era dose. Mas tinha muito cara que vivia comprando milho. Não sei para quê.(risos)

Eu nunca usei os serviços de nenhuma. Mas quando em rodinhas de adolescentes, naturalmente contávamos vantagens e exagerávamos os feitos. Hoje passado quase trinta anos posso confessar. Não peguei ninguém em Delmiro(risos). Saí do jeito que cheguei: Zerado.

E você já tinha ouvido falar nestas meninas? Conheceu alguma delas no sentido bíblico da coisa? Que nomes faltaram citar? Você lembra de mais algum? E na sua cidade quem marcou época? Hoje em dia há alguém tão famosa quantas as referidas?


Conte seus podres por aqui. Afinal já passaram tantos anos que ninguém vai te censurar. Participe.

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postado por: <$César Tavares$> 2:29 PM


Terça-feira, Fevereiro 01, 2005


Concentração do Pompeu. Vila Operária início dos anos 80.
Você conhece alguma destas meninas?


Carnaval

Carnaval chegando. Vem à mente as lembranças de uma das melhores partes da minha infância/adolescência em Delmiro Gouveia: O Mela- Mela.

O Mela-Mela era um misto de brincadeira com pura selvageria. Selvageria sim. Porque não respeitávamos nem pé de coentro. Mas naqueles tempos felizmente ainda não havia a onda do politicamente correto. Tudo era incorreto mesmo. E pronto. E que se danasse o resto. Ora para a meninada estava ótimo. O que valia era a mais pura anarquia. Para quê regras?

A coisa toda acontecia nas manhãs de domingo.Os grupos se posicionava nas esquinas de suas respectivas ruas. Todos devidamente equipados: caixa de maizena ou arrozina a tiracolo. E uma bisnaga com água. E os alvos prediletos do mela-mela eram as pessoas que passavam limpinhas. Tinha gente voltando da missa. Estas davam um prazer meio especial. Algo sádico sujar tais pessoas. Mas fazíamos com prazer. Tome maisena na cara, nos cabelos e na roupa. Era uma papa geral. Lógico que alguns rapazinhos com a libido em alta e hormônios a flor da pele, aproveitavam a ocasião para passar a mão em algumas meninas mais bonitinhas. Passavam tudo bem. Mas invariavelmente estes espertinhos de plantão levavam uma sonora mãozada na cara. Plaft ecoava o som na cara do safado.

Ao meio-dia, uma regra, não escrita, era cumprida à risca. Cessava a brincadeira.

Então o restante do carnaval era mais tranqüilo. As opções eram poucas:

O Bloco do Bafo-da-Cana. Rapazes e moças da classe média e alta (se é que existia esta diferenciação), alguns instrumentos de percussão, umas palhas de coqueiro ficavam a desfilar sem nenhum roteiro definido. E do seu hino só lembro um trecho:

Olha o Bafo da Cana
Que não tem fantasia
Alegria Barata
Bafo bafo bafo...

Havia o Bacalhau do Zé do Carmo. Um bloco formado por pessoas mais simples. Dizíamos que eram as Pinicas de Zé do Carmo. Puro preconceito de nossas mentes tacanhas e provincianas. Não lembro de seu hino. Seu ponto de concentração era ali perto do sindicato dos tecelões.

E da Cohab partia a primeira escola de samba organizada da cidade. Fantasias bonitas para os padrões que conhecíamos até então. Eram os Leões do Samba. Não tenho certeza. Mas creio que uma das pessoas responsáveis por suas organização era chamada de Hercília.

Nos quatro dias de Momo também havia os tradicionais bailes e matinês nos Clubes Vicente e Palmeirão. Tocava-se muito frevo.

O último carnaval que passei em Delmiro Gouveia foi em 1980. De lá para cá muita coisa mudou. Vi na minha última visita a cidade a sede de alguns blocos. E também acompanho pelos jornais, que há uma tendência de se fazer àquela festa mais industrializada. Com cara de carnaval baiano: Todos com roupas iguais. Algo meio robotizado. Particularmente não gosto. Acho que tira um pouco da velha e anárquica alegria. E além disto sou apaixonado pelas influências pernambucanas. Coisa de bairrista.

Também foi criado após a minha saída o Bloco do Pompeu.(www.blocodopompeu.ubbi.com.br) Nunca tive o privilégio de vê-lo desfilar. Meu primo Tadeu Mafra é um dos fundadores. Homens travestidos de mulheres desfilando pelas ruas delmirenses. Dizem que faz tanto sucesso quanto às famosas Virgens do Bairro Novo (Olinda).

E você que lembranças tem do carnaval delmirense? Agora é bem melhor que no passado? Ou não? Você lembra do Hino completo do Bafo da Cana? E do Bacalhau qual era? Você também curtia o mela-mela? Deixe aqui o registro de suas lembranças. Conte por aqui alguma boa história sobre o carnaval delmirense.

Abraços a todos.

PS: Em tempo. Hoje nem tenho mais saco e muito menos saúde para carnaval. Geralmente fico nestes dias lendo um bom livro ou assistindo algum filme. Coisa de velho.(risos) É o peso dos anos meus caros.

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postado por: <$César Tavares$> 3:50 PM



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