AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA

César Tavares abre suas malas cheias de recordações e lembranças dos tempos passados em Delmiro Gouveia, uma cidade sertaneja de Alagoas, de sua gente e dos fatos do cotidiano. E faz um convite aos visitantes para abrirem também as suas malas, baús, gavetas e álbuns; e retirar: histórias, causos, e fotos do passado e do presente delmirense.



Sexta-feira, Outubro 29, 2004

A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO (título de um filme italiano dos anos 70, e que durante muitos anos esteve proibido pela censura. O protagonista era o Jean Maria Volanté)


11 horas soava o apito da fábrica. Era o final do primeiro expediente para os operários da Divisão de Confecções da Cia Agro Fabril Mercantil. Eram dois turnos de trabalho. Iniciava-se às 6 horas e ia até às 11 horas. Havia um intervalo de duas horas para o almoço. Voltava-se às 13 horas e trabalhava-se até às 17. Num total de nove horas diárias de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira a jornada durava oito horas. E aos sábados só havia o primeiro expediente. Totalizando 48 horas semanais.

Então um pouco além das onze horas as ruas delmirenses ficavam cheias de apressados operários, devidamente fardados, se dirigindo as suas casas para o almoço.

Trabalhei neste ritmo durante quase cinco anos. Comecei aos 14 de idade. Na época era permitido. A Constituição Federal de 1988 reduziu a jornada para 44 horas semanais e proibiu o trabalho a menores de 16 anos. Hoje seria considerada exploração de mão-de-obra infantil.

Naquela época a Divisão de Confecção com os seus diversos setores: camisaria calçaria, setor de lençóis, setor de pijamas e cuecas, gerava em torno de uns 800 empregos diretos. A fábrica como um todo tinha uns 2000 empregados.

Minha primeira função foi de auxiliar de expedição. O chefe da seção era o Rosalvo Nóia(Doda). Como colega de trabalho lembro bem do Murilo Liberato (Moura), ele procurava dar-me algumas orientações no início. Eu ainda um garoto e ele já adulto.

Vinte e um anos depois numa visita as instalações da nova Fábrica da Pedra, revi o Murilo. Fiquei feliz e ao mesmo tempo desapontado. Ele não me reconheceu. Mesmo eu lembrando de todos os nomes das pessoas daqueles tempos de expedição: Gilson Alemão, Doda, Nildo, Maribondo, Cassimiro, Galego, Éder Matagrande, Erasmo Cegueta.

Mas o importante é que eu lembro dele e das suas dicas. Ele sempre fazia suas tarefas de forma bem-humorada e tranqüila.

Na expedição trabalhei creio que menos de um ano. Depois fui promovido para cronometrista. E passei a ter como chefe o Valmir Bezerra(Bafão). Gente boa. Um sujeito calmo, inteligente e paciente. Nas poucas vezes em que voltei em DG após 1981, sempre fiz questão de trocar umas palavras com o Valmir.

O cronometrista é aquele cara responsável por estudos de tempos e movimentos. Eu executava o trabalho sem grandes dificuldades e nem sabia da importância de tudo aquilo. Mas sempre eu estava procurando formas de aumentar a produção das costureiras.

Alguns anos depois ao entrar na universidade e pagando as cadeiras de Teoria Geral da Administração e que tomei conhecimento dos trabalhos de Taylor e Gilbreth, é que vi o quanto eu havia contribuído de forma meio alienada para aumentar a mais-valia do patrão. Aqui fica o registro da minha Mea Culpa. Confesso.(risos).

Ainda lembro nitidamente que ao sair para o almoço, tinha por hábito esperar a Lalide, e então íamos batendo papo. Colocando as conversas em dia. Ela era minha grande amiga e colega de classe no GVM. Pois trabalhávamos o dia inteiro. E a noite estudávamos. Interessante é que nossos números na chamada de classe sempre eram juntos: 33 e 34.

A foto abaixo foi tirada numa destas saídas. Tomei conhecimento desta fotografia algum tempo depois e a adquiri. Gosto dela porque não foi posada. Tudo o que aparece nestas cores esmaecidas pelo tempo é natural e espontâneo. E também porque também traz à lembrança do início da minha vida profissional: um jovem operário delmirense.

Eu deveria ter nesta época uns 16 ou 17 anos. Ainda magro e com cabelos. O contrário de hoje.

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postado por: <$César Tavares$> 5:20 PM


Sexta-feira, Outubro 22, 2004



Ainda o Cine Pedra.

Para quem não conhece a cidade de Delmiro Gouveia, ou até mesmo, para os delmirenses das novas gerações, as fotos servem para situar um pouco. Estas fotografias foram digitalizadas de uma edição especial da Revista Continente Multicultural sobre o empreendedor Delmiro Gouveia, por ocasião do 140º aniversário de seu nascimento.

No original é uma montagem de cinco fotografias sobrepostas, onde se tem uma vista panorâmica de parte da fábrica, da rua principal, onde hoje é Avenida Castelo Branco indo até a Igreja Nossa Senhora do Rosário. Por questão de espaço e por ser uma continuação do post anterior, optei por uma vista parcial.

Ainda no início dos anos setenta, a arquitetura das casas da Vila Operária, não havia sofrido profundas transformações. Hoje está bem diferente. O que se mantém apenas, é que as casas continuam conjugadas.

Num comentário do primeiro post deste blogger. O Eraldo Vilar(filho do Sr. José Alves do Armarinho e irmão do Betinho), fala que onde hoje é o Clube Vicente de Menezes, existia o famoso Bar Iolanda. Não conheci o bar.

Seria interessante alguém que o conheceu escrevesse por aqui resgatando assim um pouco mais do passado da cidade. Está feito o convite ao Eraldo Vilar.

Falando no Eraldo, talvez nem ele mesmo saiba ou lembre disto. Mas ele foi o primeiro a trazer para os campos de pelada da cidade uma bola dente-de-leite. O campinho de futebol ficava ali no final da Cohab, com vista para o cemitério novo. O jogo às vezes era interrompido, para que os caminhões da Sudene abastecessem numa bomba d¿água que havia dentro do campo.

Creio que o Eraldo morava em Paulo Afonso, e estava passando férias em DG. Até então a meninada jogava com bolas canarinho. E a chegada de uma bola de plástico dura, com peso e características das usadas pelos adultos, foi um espanto!

Eu era ainda bem criança. Tinha por volta de sete ou oito anos de idade. A meninada que jogava futebol neste campinho era um pouco mais velha. Lembro de alguns deles: Os meninos dos Correios(Genilson, Paulinho, Danilo e Bráulio) Gilmar Cabeção, João Batista da Rua do ABC, Betinho, Juarez, Ailton de Mané Pedrão, Valmir(Bafão) e meu irmão Marcão.
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postado por: <$César Tavares$> 2:58 PM


Quarta-feira, Outubro 20, 2004


A cidade tinha dois cinemas: Cine Pedra e o Cine Real. Os equipamentos de reprodução do Cine Real eram mais novos, mas o Cine Pedra tinha um charme especial por ser o primeiro cinema da cidade. Aliás, um dos primeiros cinemas do Brasil.

Eu sempre preferi o Cine Pedra. E ali naquele espaço amplo, tela grande, cadeiras desconfortáveis, som de péssima qualidade e com uma irritante parada no meio do filme para troca de rolos, eu tomava conhecimento de um outro mundo.

Conhecimento que chegava de forma barata. Os preços dos ingressos cabiam perfeitamente em meu bolso de criança/adolescente.

Os filmes chegavam em Delmiro Gouveia muito tempo depois que havia passado nas grandes cidades. Mas mesmo assim a expectativa era grande. O legal era que o ilegal prevalecia não havia censura. Vivíamos tempos duros de ditadura militar. Mas não havia censor em DG. E também não havia a onda do politicamente correto.

Portanto filmes violentos eram assistidos por todos indistintamente. Vi o Charles Bronson e o Clint Eastwood matarem muita gente. Cenas de sexo e nudez eram raras. Não faziam parte da cinematografia da época. Mas quando numa típica pornochanchada dos anos 70, aparecia apenas um seio ou uma bunda na tela, a gritaria era geral. Nu frontal nem pensar.

E assim assistia-se a tudo. Os filmes geralmente ficavam em exibição por apenas três dias. E nos finais de semana havia promoção. Com o preço de um assistia-se dois.

Geralmente eram filmes com atores desconhecidos e inexpressivos. Filmes baratos. Classe B mesmo. Não tinha importância. Não era seletivo e muito menos entendia de estética ou crítica cinematográfica. Porém às vezes chegavam (com muito atraso) filmes clássicos ou ganhadores de Oscar: O Exorcista, Inferno na Torre, Spartacus, Love Story, Pappilon. Nestes dias o Cine Pedra lotava.

O Cine Pedra pertencia à Cia Agro Fabril Mercantil e era arrendado ao Sr. José Pedrão Os funcionários do cinema durante o dia tinham outras atividades. Aquilo era apenas um bico. Assim o Zé Miguel (pai do César Pregão) era o bilheteiro. E a portaria ficava a cargo do seu Américo. A Patrícia, nossa colega de turma, e filha do Zé Pedrão, às vezes, ficava também na bilheteria.

Creio que tinha coisas que só aconteciam no Cine Pedra:

a) Como não havia motéis em DG, alguns casais mais espertos e com hormônios em ebulição, procuravam discreta e furtivamente ficar nas escadarias da saída. Obviamente escondidos por grossas cortinas. Talvez alguns jovens delmirenses tenham sido concebidos nestes momentos lúdico-eróticos. Perguntem aos seus pais. Encabulem os velhos.

b) Em alguns dias a meninada com grana curta e por pura molecagem, entrava nas casas da Vila Operária, que ficava ao lado do cinema, e pulavam o muro. O ato era conhecido como malhar. Entrar sem pagar. Com certa freqüência, alguns meninos, figurinhas carimbadas, eram conhecidas do Sr. Américo. Então ele pegava o dito cujo pelas orelhas e botava-o para fora. Mas o círculo vicioso se repetia.

c) Nos domingos pela manhã as instalações do Cine Pedra eram cedidas para a realização do Programa de Calouros. Um palco onde os delmirenses talentosos ou corajosos se apresentavam. Eram bastante comuns nestes programas os encerramentos ser feito por um astro local: O Ronny Seixas ou o Fred Clóvis, este cantando o seu maior sucesso (Psicopata do Amor). Também havia sorteio de brindes. Quem respondia algumas perguntas de conhecimentos gerais ganhava. Eu particularmente ganhei alguns prêmios valiosos. Talvez o mais caro deles tenha sido um conjunto de copos americanos, daqueles bem pebas, conhecidos como pega-bêbados.


Os cinemas em DG fecharam há mais de uma década. O prédio do Cine Real foi transformado numa Igreja Evangélica, apenas repetindo numa escala delmirense, o ocorrido em tantas outras cidades deste país.

No local do Cine Pedra, funciona exatamente onde era a cabine de projeção os estúdios da Rádio Delmiro AM/FM.

Em junho de 2002 estive visitando o local. Estúdios modernos e equipados com o que há de melhor no setor. O Adriano Pereira (locutor) nos mostrou tudo com entusiasmo.

No entanto teve algo que doeu na minha alma. E fez-me sentir um pouco como aquele personagem de Cinema Paradiso, ao ver que o cinema de sua infância havia sido transformado num estacionamento.

Para minha surpresa e decepção o espaço onde ficavam as cadeiras do Cine Pedra, onde eu sentava e via o mundo de uma forma deslumbrante e multicolorido de imagens e sons, havia se transformado num depósito de colchões.

Pateticamente senti saudades da infância.
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postado por: <$César Tavares$> 3:48 PM


Segunda-feira, Outubro 18, 2004


CULINÁRIA DELMIRENSE
Uma especialidade do Mestre Valfrides

No nordeste, a criação de ovino e caprino vem crescendo muito nos últimos anos.
E desses animais, tudo se aproveita.
Os miúdos de carneiro ou de bode, por exemplo, são usados em um dos pratos típicos da região: a buchada.

Para descobrir o segredo dessa iguaria, você pode ir para Delmiro Gouveia, aprender como se come uma buchada.

Os mais antigos aconselham evitar a buchada à noite para evitar pesadelos. Crendice popular? A maioria prefere não correr riscos.

Cabe antes tomar uma caipirinha para abrir o apetite.

Agora, vamos aprender a receita de um delmirense que para deleite e a felicidade dos seus parentes e amigos, se aventura como cozinheiro nos finais de semana.

Ingredientes- 300 g de fígado- 200 g de tripas- 200 g de bofe- 150 g de coração- 150 g da carne que envolve o coração do carneiro e também do bucho- Os pés do animal- Linha e agulhaPara o tempero:- 2 tomates picados- 1 pimentão verde- 1 cebola média também picada- Coentro a gosto- 4 pimentas de cheiro- Cominho- Orégano- Sal- Coloral a gosto- ½ xícara de vinagre- 1 cabeça de alho

Modo de preparoPrimeiro, misture os miúdos.Acrescente tomate, pimentão, cebola, coentro, sal e colorau. Os outros temperos são batidos no liquidificador. O resultado é um molho cremoso que deve ser misturado aos miúdos. Depois, é só deixar descansar.Enquanto isso, trate o bucho. Corte-a. O acabamento é requintado e demorado. Exige habilidades manuais e até um jeitinho de estilista para dar forma ao bolinho. A linha deve ter duas voltas para ficar resistente e cor clara para não chamar atenção. Para costurar cada bolinha não demora muito. Dizem que o trabalho fácil. O próximo passo é encher os saquinhos. O resultado é uma delícia recheada e suculenta. Não esqueça de costurar bem as bordas. O rendimento é de nove buchadas. Agora, a bichada é levada ao fogo. Coloque os temperos na panela, as buchadas e, o grande segredo, os pés do carneiro (que soltam a gordura que dá um gostinho especial à buchada.Por último, acrescente 1,5 l de água. Tampe a panela e deixe cozinhar. Cerca de uma hora e meia depois, está pronta a buchada. Antes de degustar, é bom não esquecer de tirar a linha.

Depois de comer é recomendável uma rede...
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postado por: <$César Tavares$> 2:39 PM


Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Blogger ainda em fase experimental. Aguardo sugestões e críticas
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postado por: <$César Tavares$> 1:43 PM


Metamorfose Ambulante.

Nunca soube o seu nome completo real ou ao menos algum sobrenome. Todos o chamavam de Ronaldo Macarrão, o apelido certamente inspirado pela sua esqualidez. Também nunca soube do que vivia ou sobrevivia em Delmiro Gouveia naquela época.

Era um tipo meio diferente para os padrões de uma cidade até então pequena e acanhada. Aquela figura alta, magra, cabelos longos desgrenhados, e eternamente vestido com jeans surrados, às vezes com uma jaqueta. Lembrava um pouco um hippie. Apesar de que o movimento rebelde dos anos 60 há muito declinara. Enfim ele não era alguém que passasse despercebido.

E como ser despercebido sendo diferente numa cidade pequena? Era algo um tanto difícil.

Quando chegavam os finais de semana, ele era a grande atração dos Programas de Calouros, que geralmente aconteciam no Antigo Cine Pedra. A voz do animador anunciava em tom de suspense a sua entrada: Agora com vocêsssssssssss Ronyyyyyyyyyy Seixassssssssss.

E então ele adentrava ao palco imitando o seu ídolo Raul Seixas. A voz não lembrava muito o Raulzito. Mas à imitação dos gestos, trejeitos e postura de palco lembrava.

Ele então se transformava num astro. E nós aquela meninada dos anos 70 de DG, aplaudíamos o nosso ídolo e gritávamos o seu nome. Tudo isto era acompanhado pelos acordes dissonantes do Conjunto do Reginaldo. Não lembro mais o nome do conjunto. Mas sei que sempre mudava de nome.

Tudo bem que era tudo uma grande gozação. Mas o Rony Seixas se empolgava. E naquele momento ele era uma verdadeira Metamorfose Ambulante. E entre outras coisas cantava: Gitã, Medo da Chuva e Quem não tem colírio usa óculos escuros e Eu Nasci Há dez mil anos atrás.

Talvez algumas pessoas mais conservadoras façam algum tipo de censura ou encare com ares de reprovação esta homenagem ao Ronaldo Macarrão.

Poderão até dizer: mas este cara bebe demais e outras coisas. Mas quero deixar o meu registro sobre alguém que até hoje povoa minhas lembranças delmirenses. Um sujeito pacato, de voz suave, contestador e tranqüilo. Sempre o achei gente boa. E o olhava com olhos de admiração. Porque ser contestador naqueles anos de chumbo não era coisa para qualquer um. Afinal vivíamos numa ditadura e num ambiente social ainda eivado de preconceitos.

Não lembro de nenhum gesto com conotação política que ele tenha feito, naqueles tempos. Mas era ao meu ver um rebelde sem causa. E nos divertia com as suas loucuras.

A maior delas foi entrar num sarau do Clube Vicente de Menezes dentro de um caixão de defunto. A armação toda feita pelo Gilmar Cabeção. Foi algo marcante. Luzes apagadas, velas acesas e quatro sisudos carregadores entrando no salão. Um clima de suspense pairava no ar. O caixão é aberto. E levanta-se vagarosamente vestido numa mortalha o Ronaldo. Gritos histéricos por todo o salão. Foi uma farra.

Em junho de 2002 ao visitar a cidade após cinco anos de ausência. O encontrei ainda logo cedo sentado na escadaria do antigo Bar do Lula Braga. E fiz questão de ir apertar a sua mão e de apresenta-lo ao meu filho.

Eis aqui o famoso Ronaldo Macarrão ou Rony Seixas. Um artista delmirense. E ele com uma voz enrolada para àquela hora da manhã, agradeceu a deferência.

Hoje provando que é um verdadeiro mito vivo. E que realmente nasceu há dez mil anos atrás e não tenha nada que ele não saiba demais, freqüentemente é convidado a participar de eventos das novas tribos delmirenses.

As fotos mais recentes do nosso ídolo foram tiradas agora em setembro no evento ligados a esportes radicais urbanos(Skate e coisas afins) promovido pelo Eduardo Menezes.


Rony Seixas o verdadeiro e único.

Rony e as novas gerações: 30 anos depois

Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás...

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postado por: <$César Tavares$> 1:40 PM


Sexta-feira, Outubro 08, 2004


Rua Augusta, 77


Nesta casa morei de junho/1972 até o início de março/1981. Esta foto foi tirada em junho de 2002, então visitando a cidade. Mostrei ao meu filho o local onde passei parte da infância e adolescência.

A casa está um pouco modificada. Foram feitos alguns acréscimos. Um novo cômodo na parte da frente e o levantamento do muro. Ainda é possível ver um toco de uma árvore na calçada ou no que restou dela. Era uma algaroba que fazia uma sombra refrescante.

Nesta casa onde hoje está a terceira janela que dá frente para a Rua Sargento Reginaldo, eu ganhava os meus primeiros trocados. Como vivíamos uma vida extremamente apertada. O orçamento doméstico era reforçado pela ¿minha banquinha de confeitos¿. Por este tempo ainda não havia a onda do politicamente correto.Portanto ninguém falava em ¿exploração de mão de obra infantil¿

Como é uma casa de esquina, tínhamos como vizinhos o antigo e saudoso bar do Palmeirinha. Ali além de bar era a sede do time de futebol. Talvez as novas gerações de delmirenses desconheçam. Mas o Clube Palmeirão surgiu após o Palmeirinha e o nome foi uma derivação.

E ao Bar do Palmeirinha, eu devo os meus parcos conhecimentos de músicas. Ali se ouvia o dia inteiro entre outros: Nélson Gonçalves, Lindomar Castilho, Adelino Moreira, Altemar Dutra, The Fevers, Aguinaldo Timóteo e o hoje ressuscitado e cult Fernando Mendes, que estourou nas paradas com a regravação na voz do Caetano Veloso com o hit ¿E agora que faço eu da vida sem você¿. Pois é. Ouvi muito isto na infância.

Era um tempo onde ainda se pedia aos vizinhos uma ¿xicrinha de açúcar¿ por cima do muro. Como vizinhança lembro-me dos Canutos, do Cleiton, da família de Dimas, dos Batinga que moravam em frente, do Sr. Manoel Olímpio na casa ao lado. Um pouco mais para o fim da rua havia o Roberto irmão da Ana Sandra, o pessoal de Olhos D`Água do Casado(Issinho e Neto) e o pessoal da família Gordinho.

Havia uma meninada boa. E como por está época ainda não havia o domínio da programação televisiva.Pois em DG só se pegava um canal. E assim mesmo não entrava no ar o dia inteiro. Então era a noite que rolavam brincadeiras em plena rua : Roubar Bandeira, a linha divisória era um poste e as bandeiras eram outros postes. Garrafão desenhado com giz no calçamento. E futebol. Convém dizer que eu era e sempre fui muito ruim de bola. Cinturão Queimado, Passar Anel...

Verdadeiramente eram outros tempos. Creio que as crianças delmirenses hoje em dia se divertem de outras maneiras. Tudo tem o seu tempo. Sinto saudades do nosso.

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postado por: <$César Tavares$> 2:34 PM


Quinta-feira, Outubro 07, 2004



Numa época dourada podemos ver como tudo era mais romântico. Uma das primeiras turmas de formandas do Ginásio Vicente de Menezes. Havia todo um cuidado nos momentos de desfiles comemorativos. Atente para os detalhes das saias abaixo dos joelhos, das luvas dependuras na saia, das pequenas gravatas e as lindas boinas.

Anos depois, por duas vezes tive a honra e o privilégio de ser aluno da então adulta Maria José Liberato. A primeira vez na primeira série primária em 1971 na Escola Francisca Rosa da Costa.

E depois em 1974 na quinta série do GVM. Onde ela de forma rigorosa e competente nos ensinava Português e Matemática.

A Lenilda não foi professora minha. Mas chamava atenção pela sua graça e beleza. Lamentávelmente faleceu bastante jovem num acidente de automóvel.

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postado por: <$César Tavares$> 6:06 PM




Uma vista dos anos 60. Quando cheguei em junho de 1969 já estava um pouco modificada. Mas lembro que o meu tio Beda(Benjamim) teve a sua primeira casa nesta rua. Era bastante comum nas noites quentes do verão delmirense as pessoas deitarem em esteiras nas calçadas. Alguns armavam suas redes nas pilastras.Era algo um tanto engraçado. Famílias e mais famílias deitadas e conversando. Creio que seja algo único.

Era um tempo onde não havia medo. Todos se conheciam. Tudo era tranqüilo, calmo e confiável.

Hoje o casario está totalmente descaracterizado. As ruas estão calçadas. Enfim a modernidade e o conforto chegou. Mas dá uma saudade não? Esta rua foi a única que apareceu no filme Coronel Delmiro Gouveia(1978), dirigido pelo Geraldo Sarno e tendo como protagonista o Rubens de Falco. É nesta locação onde esta a cena mais expressiva do filme, quando O Coronel nacionalista "dá uma banana" para os capitalistas ingleses, que pressionavam para comprar a Cia Agro Fabril Mercantil(hoje Fábrica da Pedra)



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postado por: <$César Tavares$> 2:37 PM



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